O livro “Admirável Mundo Novo” foi escrito por Aldous Huxley e publicado em 1932. O autor narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas. O livro retrata a sociedade perfeita onde todos seriam conformados com sua condição social. Mais do que isso, seriam felizes, harmônicos e satisfeitos com a casta pela qual fazem parte. A Sociedade “perfeita” desse futuro criado por Huxley é mostrada através de uma viagem ao Admirável Mundo Novo.

O ano é 2540 d.C., mas para os personagens do livro é 632 d.F., ou seja, depois de Ford. Para eles, Henry Ford, criador das linhas de produção, foi “o Messias”, e eles o invocam por meio do sinal de “T”, no peito, em referência ao célebre modelo do inventor. Nessa sociedade, todos vivem sob o imperativo da felicidade e são divididos em castas: os Alfas, Betas, Gamas, Deltas e Ípsilons. As duas primeiras são compostas de indivíduos únicos, mas as restantes passam por um processo que divide seus embriões e produz cerca de oitenta pessoas iguais. Tudo isso para que, trabalhando juntos, haja um sentido de identidade entre eles.

Admirável Mundo Novo conta a história de uma jovem típica, pertencente a uma das castas altas, que, em uma crise existencial (uma falha inexplicável no sistema de produção de indivíduos), conhece uma reserva de selvagens, e, particularmente, um “selvagem” (a reserva é uma alegoria para o mundo real e os selvagens são pessoas remanescentes do mundo em que vivemos, ou em que se viveu na década de 30 – quando o livro foi publicado). Os dois personagens representam o antagonismo entre a nova e a velha sociedade.

A personagem vive em uma sociedade formada por indivíduos pré-programados genética e psicologicamente para desempenhar um papel social e gostar deste. Sem questionar ou desejar, nem mais nem menos, simplesmente ser o que lhe foi designado pelo sistema, administrador do bem-estar geral. O selvagem, por outro lado, vive em um mundo cheio dos antigos valores e costumes, dogmas, tradições e imperfeições.

Neste mundo criado por Huxley não há pais, mães ou relacionamentos duradouros. Os embriões são “montados” em linhas de produção, de acordo com sua casta. Desde o nascimento, são condicionados, seja por hipnopédia (repetição de frases durante o sono) ou outros métodos, a aceitarem a morte e tratarem o sexo como algo absolutamente trivial, para ser praticado sempre e com todos. Não possui a ética religiosa e valores morais que regem a sociedade atual. Qualquer dúvida e insegurança dos cidadãos era dissipada com o consumo da droga sem efeito colateral: o “soma”. As crianças têm educação sexual desde os mais tenros anos da vida. O conceito de família também não existe. Para a sociedade civilizada, ter um filho era um ato obsceno e impensável, ter uma crença religiosa era um ato de ignorância e de desrespeito à sociedade.

Sem dúvida, Admirável Mundo Novo faz parte da tríade distópica da literatura mundial, juntamente com 1984 de George Orwell e Laranja Mecânica de Anthony Burgess. Impossível não ver os traços de uma política totalitária que “trabalha incansavelmente” para “o bem-estar da sociedade”.

É uma maneira de criticar a substituição das pessoas por máquinas, de uma forma diferente: substituindo o lado humano, os sentimentos e emoções, por sensações pré-programadas.

Os cidadãos são condicionados a aceitar uma série de regras sociais, que são padronizados e, no entanto, continuam presos a dogmas, embora estes mudem de uma sociedade para outra, sendo atribuídos de formas diferentes: por um lado, através da educação infantil e, por outro lado, através do condicionamento hipnopédico (em outras palavras, adestramento).

Impossível não ver no Estado descrito em “O Admirável Mundo Novo” a política capitalista de Bem-Estar Social e, simultaneamente, o Estado totalitário, auto-intitulado socialista ou comunista, seu antagonista “natural”, ambos ditatoriais e avessos a qualquer nova possibilidade para a sociedade como um todo, característicos do pós-guerra.

Saltando para os dias de hoje, quase oitenta anos depois que o livro foi escrito, já assistimos à estruturação (e à desestruturação) de dois mundos, o capitalista e o socialista, ao surgimento de um terceiro mundo e à substituição destas divisões em função de uma Nova Ordem Mundial, processo chamado de Globalização.

Como criticar o “Admirável Mundo Novo” quanto à sua utilização do soma quando não estamos muito longe disso, ao utilizar um simples Prozac? Criticar a sua alienação quando nos deixamos imbecilizar pela televisão, cinema, vídeo, músicas e revistas das quais nos lembraremos por apenas uma estação? Não é a nossa sociedade tão consumista e manipuladora quanto à descrita por Huxley no início deste século? Não somos também nós, como os seus personagens fictícios, crianças grandes, brincando com brinquedos cada vez mais caros e sofisticados? Crianças que fogem dos problemas, leem revistas e assistem programas que nos dizem o que vestir, o que comprar e como agir?

No entanto, é sempre bom ressaltar também o outro lado: aquilo que ainda temos de mais precioso, algo que as pessoas do “Novo Mundo” já perderam: humanidade, espírito, liberdade. Nesse mundo, aqueles que ousam pensar diferente – ou, melhor aplicando o termo, aqueles que ousam pensar – são alvos de preconceitos e perseguições. No mundo real, as coisas já não são bem assim: aqueles que pensam diferente são até recompensadas.

O pensar é incentivado, ao menos em ALGUMA parcela da população, enquanto que no “Novo Mundo”, ele é cortado antes mesmo de a criança nascer. No “Novo Mundo”, cada pessoa é especializada como uma formiga, vivendo unicamente para exercer a profissão a que foi destinada antes de nascer e tendo sido condicionada para gostar disso. Sem dúvida, isso resolve o problema do desemprego. Mas a que preço? O preço da liberdade de escolha, da liberdade de querer ser alguém, de querer crescer na vida, ou de, simplesmente, mudar.

A vida individual, uma das coisas mais valiosas que o homem conquistou com o seu desenvolvimento evolutivo, é anulada pela vida coletiva; perde o sentido. As pessoas deixam de ser seres humanos e passam a ser máquinas superespecializadas para exercer uma determinada atividade. Isso as torna tão dependentes dos outros que elas deixam de existir sem alguém por perto. Daí vem a ansiedade por locais “cheios de gente”. Eles sentem-se seguros, protegidos, o seu instinto não foi anulado, continua ali, dando seus sinais, ainda que, de certa forma, alterado.

Por fim, mas não menos importante, é preciso ressaltar mais uma grande mensagem de Aldous Huxley: o homem ainda faz parte da Natureza. Ele não pode anulá-la, pois ela vive dentro dele próprio.

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Nota  —  Publicado: março 19, 2012 em resenha
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crônica: zezinho trabalho

Publicado: junho 6, 2008 em crônica

Essa é a estória do Zezinho Trabalho. Um cara simples, humilde, alegre e que adora trabalhar. Claro, com o nome desses tinha que adorar trabalho. Não é em vão que colocaram esse apelido nele. Morava com sua mãe já idosa e com problemas de saúde. E Zezinho fazia de tudo pra ajudar sua mãe: a pessoa que ele mais admirava na face da Terra. Ela teve uma vida sofrida, corrida, vivida… Criou Zezinho com muita dificuldade. Moravam na periferia, num casebre bem humilde onde era dureza de se morar. É, Zezinho. Duro é viver. Mas, como todo ser humano, se adequou ao ambiente e, mais que isso: gostava do lugar. Quando tinha um tempinho, falava com o dono da padaria, jogava futebol com os amigos de bairro, conversava com os vizinhos e ia pra frente do salão de beleza admirar sua musa que trabalhava lá… Uma moçoila linda e trabalhadora. Gostava de roupas claras e compostas e sempre tinha um penteado da moda. Afinal de contas, entendia do assunto.

Bem, voltemos ao Zezinho Trabalho. E quanto trabalho, hein Zezinho! Mas ele num liga pra tanto trabalho. Como já disse, até gosta de ter muita coisa pra fazer. Pra ele é um hobby. E tenta contagiar seu ambiente de trabalho com sua simpatia. E conta histórias, piadas, e conversa muito. E fala da mulher gostosa que passou, das palavras arrogantes que o chefe proclamou, do veneno mortal que a ambiciosa novata destilou, das blasfêmias que um incrédulo profanou… E conversa muito. E os amigos escutam suas palavras extasiados. De fato, é um contador de histórias nato. “Conta mais Zezinho! Conta aquela história do menino que num falava a letra C!”. E Zezinho contava. E todo mundo se acabava de rir. “Como é engraçado esse Zezinho!”.

Mas, acabava aquela hora do cafezinho. E Zezinho voltava pro trabalho. Pegava sua ferramenta e passava pra lá e pra cá… e limpava aqui, e limpava ali e adorava limpar e adorava trabalhar. E assim Zezinho fazia, todos os dias o dia todo. Durante anos foi um trabalhador exemplar. Nunca se atrasava, trabalhava sorrindo, falava com todo mundo, e era impecável no seu serviço.

Mas, duro é viver. E a mãe do Zezinho piorou. E ele precisou faltar alguns dias no trabalho para cuidar da mãe. E ficava desesperado sem saber o que fazer com o absurdo de caro, aqueles remédios que o doutor passou. E pedia ajuda para os amigos, e vendia suas coisas, e enfrentava filas quilométricas nos hospitais…

Aí Zezinho foi convidado a se apresentar ao trabalho. Chegando lá, foi informado que não pertencia mais ao seleto grupo de trabalhadores de lá. Não adianta, Zezinho. Não adianta chorar e se desesperar. Eles não têm coração mesmo. Não importa seus anos de assiduidade, de trabalho competente, de sua alegria contagiante. Não adianta Zezinho. Não adianta se sua mãe ficou doente e precisa de você perto dela. “Precisamos de alguém que cumpra os horários assiduamente, e você já não pode preencher todos os requisitos”. E a empresa que Zezinho trabalhava ficou sem as famosas histórias que ele contava. O cafezinho ficou frio.

No habitat natural do ser humano, vale a lei da sobrevivência. E a lei da sobrevivência é isso: “primeiro eu depois os outros”. Sempre foi assim e continuará sendo durante um bom tempo. Não importa o que você faça, nunca reconhecerão seu trabalho. Aliás, importa sim: faça alguma besteira. Sua cabeça será pedida sem cerimônias.

Zezinho aprendeu isso da pior forma. Agora era um homem sem sorriso, sem esperança, sem emprego… E, o pior de tudo, sem mãe. Dona Maria não teve como comprar os remédios caros com sua mísera aposentadoria e não resistiu. E quem vê aquele senhor de barbas longas e sujas, de trapos fedidos, de rosto desconfiado e triste, de olhos amargurados, de cuia na mão… Não desconfia que ele já foi o Zezinho Trabalho que andava, sorria e contagiava as pessoas. Agora, mora na rua. E aquela sombra do Zezinho sorridente deu lugar ao velho moribundo….

Duro é viver.

contos: histórias do meu Rio Grande

Publicado: janeiro 3, 2008 em contos

O dia que eu quase fui conversar com Deus foi o mesmo dia que o Capitão nascimento pediu autógrafo pro Marcelo D2

O HD é um cara gente-boa. o irmão do HD também é um cara gente-boa. Mas eles eu já conhecia antes de ir pro Rio Grande. Quem eu não conhecia era o Viagra. O Viagra também é um cara muito gente-boa. Não me perguntem porque chamavam o Viagra de Viagra. Eu não sei, mas posso imaginar. E vocês também podem imaginar. E eu nem perguntei pra ele porque era Viagra. Sabem como é né… homem normalmente é sacana. Eu imaginei que poderia ficar numa “sinuca de bico” e ser sacaneado na frente de todos. Sem, ao menos, ter uma resposta digna para reverter a situação. E um homem sem uma resposta pronta para reverter alguma situação vira chacota dos outros. E eu, definitivamente, não queria ser motivo de chacota.

Mas a história do Rio Grande não é sobre o Viagra, apesar dele ter participado ativamente (sem trocadilhos, por favor). A história é de como as coisas funcionam por lá. Bem… é claro que eu queria curtir a cidade. E que queria beber e tirar muita onda. “Ora! Não sou daqui e nem vim pra ficar. Quero é desmoralizar esse ambiente aqui. O máximo que eu puder!” E não é de se espantar que eu passei 80% bêbado do tempo que fiquei no Rio Grande. Os outros 20% eu passei dormindo. Pois bem, estávamos hospedados na casa do nosso amigo Ciço Bandêra. E ele estava numa semana muito corrida. Formatura, baile, missa, noivado, apresentação do TCC do primo e… cuidando dos hóspedes. É óbvio que ele num é de ferro. E tínhamos que dar uma trégua pro nosso pobre amigo Ciço Bandêra. Então fomos obrigados a mudar de guia turístico. Eis que surge a figura do Viagra.

Logo ele, “o mais esculhambado da festa”, como uma prima do Ciço Bandêra sabiamente mencionou. Eu que já estava muito biritado só fazia rir de tudo e de todos. O HD era o mais biritado. Já tava pra lá de Vladivostok. E bêbados, sabe como é né. Têm idéias absurdas e pensam que são brilhantes. Pois bem, a idéia brilhante foi de sairmos de carro para curtir uma na night. Depois de muita luta para nos liberarem – devido ao estado alcoólico da gente, saímos nós quatro. Eu, HD, irmão do HD e Viagra. O Viagra, além de guia turístico, era nosso motorista, nossa babá e, nessa altura do campeonato, nosso mais querido irmão. Bebemos mais. Fomos na Farrapos, desmoralizamos um pouco com a Priscila (essa já é outra história…) e fomos conhecer mais alguns lugares. Cruzamos a Oswaldo Aranha em frente ao parque Farroupilha. E estávamos no carro (com o Viagra dirigindo) falando num sei o quê sobre drogas, prostituição, canalhices… E estávamos rindo muito. E bebendo muito. Aí foi quando eu comecei a ver como as coisas funcionavam no Rio Grande.

Eu, biritado e morrendo de sono, percebi que o Viagra ficou perturbado. Olhei pro irmão do HD que estava no banco da frente do Uno Mille e percebi que ele também estava perturbado. Quando olho pelo vidro de trás do carro com fumê 100%, vejo umas luzes piscando e escuto as sirenes. Era “os hômi”. Pensei na hora: “Puta que pariu, fudeu!”. O Viagra foi obrigado a encostar o carro porque os caras da Brigada mandaram, gritando alto o suficiente para nós ouvirmos em alto e bom som.

– Pára o carro! Pára o carro agora! Pára, pára. Pára porra!

Os impacientes da Brigada já tinham emparelhado o carro apontado as armas pra gente. E eu num sabia direito o que tava acontecendo. Me disseram que a Brigada lá é o mesmo nome do Bope aqui. Parece que eles conservam esse nome do tempo da Guerra dos Farrapos.. Só que o HD num sabia disso. O HD num sabia era porra nenhuma do que tava acontecendo. Já tinha desmoralizado muito e tava dormindo no banco de trás do carro. Mas, foi obrigado a acordar. Que infeliz hora pra acordar. Infeliz pra gente. Acordou e voltou a esculhambar.

– Que merda é essa? – Gritou o HD.
– Cala a boca, velho! São os “hômi”, porra! –
Eu sussurei no ouvido dele.
– Que hômi de quê? –
Sem saber o que estava acontecendo ainda…
– Puta merda. Tamo fudido, véi! Tamo fudido! –
O pânico já havia tomado conta de mim. Afinal de contas, sou um medroso nato.
– Aí gente, fiquem caladinhos aí. Deixe que eu resolvo, beleza? –
ordenou o Viagra, não menos assustado que nós. mas sóbrio o suficiente pra tentar argumentar alguma coisa.

Nisso, os homens desceram do carro. Armado até os dentes. Sem nenhuma cordialidade. Também pudera: quatro elementos num Uno Mille desmoralizando às 2h da manhã num dia de quinta-feira não exigia cordialidade de forma alguma. Mas ao mesmo tempo eu pensava: “Num pode ser tão ruim assim? Num fizemos nada de errado…”. Nada de errado, uma teta. O Viagra e o HD tinham fumado um in nature, estávamos com bebidas alcoólicas dentro do carro e desmoralizamos há pouco tempo a Priscila lá na Farrapos. Tentava me enganar, mas não tinha jeito: fizemos merda e estávamos fudidos. Descemos do carro para um baculejo. Quatro caras da Brigada. Um com uma escopeta, dois com uma sub-metralhadora e um com uma pistola. E mais uma vez eu pensei: “É, agora fudeu de verdade! Puta que pariu!”. Como foi dito, o Viagra era o mais sóbrio. Ele tratou de tentar explicar a situação. Mas quem disse que a vida é fácil? “Os hômi” não queriam escutar nada e mandou o pobre do Viagra calar a boca. A essa altura meu álcool já tinha passado e minhas calças estavam borradas. Pudera. E o HD, continuava sem saber o que porra tava acontecendo…

“Os hômi” mandaram a gente se encostar na parede e colocar a mão na nuca enquanto um revistava o carro. A fila na parede na ordem: Viagra, eu, irmão do HD e o HD. E o HD começou a resmungar e depois a falar, cambaleando nas palavras:

– Mas são uns filha da puta mesmo! O cara num pode nem beber e desmoralizar nessa porra de cidade.
– Fica na tua, porra. – balbuciou o irmão do HD.
– Fico porra nenhuma! Esses cara devem ser de Pelotas. Fica com essas merdas de armas pra fazer medo na gente. Só pra ficar alisando a gente! Nessa terra só tem baitola mesmo! Você viu o tamanho da escopeta? Se vier aqui vai ter porrada.

E eu rezando, em silêncio, pedindo aos céus, que os quatro da Brigada fossem surdos. Infelizmente, não eram. Enquanto isso o Viagra continuava na sua tentativa de argumentar alguma coisa com algum policial que só fazia cara de mau e fingia que num escutava porra nenhuma, enquanto fazia o baculejo.

Quando o HD falou isso eu fechei o olho esperando o balaço na cabeça. Era tirar onda demais com “os hômi”. Pra eles não teria problema nenhum mandar quatro bêbados pra “Terra dos Pés juntos”. A única coisa que pensei foi: “Na cara não, pra num estragar o velório…”. Mas aí aconteceu aquelas coisas maravilhosas de Deus. A essa altura eu já tinha me convertido a católico, budista, protestante, judeu, islâmico… Era uma ótima hora pra acontecer um milagre. Não sei o porquê, mas depois que o HD falou aquilo teve um silêncio longo e tenebroso. Aí o cara que tava com a escopeta começou a rir. Rir de verdade. Gargalhar. E os outros começaram a rir também. Ora três moreninhos (um cabeludo e barbudo) e um branquelo cabeludo. Sem falar que os morenos falavam engraçado. Com um sotaque bem carregado. Típico do Nordeste.

– Mas bah, eu tô reconhecendo esse guri. – comentou um policial.
– Sim! É verdade tchê! Mas num é o Marcelo D2! – confirmou o outro policial da Brigada.
– Sim, sim! Ele mesmo!
– Mas eu não sabia que o Marcelo D2 era do Nordeste, tchê.
– Bah! Na televisão ele nem aparece com o sotaque. E ele é menos feio do que pessoalmente.
– Deve ser porque está sem maquiagem, tchê. Esses artistas são tudo louco.

E eu num tava entendendo porra nenhuma, mas tava aliviado. É que dizem que o HD tem um rosto muito louco. Se uma pessoa gosta de rock melancólico vai achá-lo com a cara do Renato Russo, se gosta de rock revolucionário, vai achá-lo com a cara do Raul Seixas e se gosta de Hip-Hop, vai achá-lo com a cara do Marcelo D2. Para nossa sorte o Hip-Hop tava em alta no Rio Grande e “os hômi” curtia muito. Nisso, chegou o quarto policial que estava revistando o carro.

– Pode liberar, num são eles não.
– Claro que num é! Aqui é o carro do Marcelo D2! Vou até pegar um autógrafo pra dar pro meu guri.

E então começamos a nos sentir aliviados. E o Viagra não precisou mais tentar argumentar alguma coisa. O policial brigou com a gente querendo saber porque não tínhamos dito que era da banda do Marcelo D2. Que se tivéssemos dito, liberava na hora. E o Viagra, que tem um ótimo poder de persuasão, lembrou que o policial da sub-metralhadora não tinha deixado ele falar porra nenhuma. Por uma coincidência incrível, que uns adoram dar o nome de destino, iria ter um show em Porto Alegre do Marcelo D2 naquele final de semana.

Parece que o HD tinha recuperado a consciência e não esculhambou mais os policiais. Mas decidiu entrar no jogo de Marcelo D2. Perguntou o nome do filho do policial que gostava de Hip-Hop e disse que ia dar uma autógrafo especial pra ele. O policial ficou todo bobo. Rindo e com um brilho no olhar de que realmente estava feliz de estar naquele momento, naquele lugar com a gente: a banda do Marcelo D2. Enquanto o HD rabiscava num pedaço de papel que o Capitão Nascimento (a essa altura ele já tinha dito o nome dele, do filho dele e do pessoal. E que coincidência! Um Capitão Nascimento pra aterrorizar a cidade!) deu pra ele, o Goulart (nome do policial da pistola) estava nos explicando que há pouco tempo havia acontecido um assalto a mão armada. E que os suspeitos eram quatro e tinham fugido num Uno Mille com vidro fumê. Era coincidência demais para um medroso numa única noite.

O Capitão Nascimento pediu desculpas pra gente e nos liberou. A gente desejou boa sorte na caçada e fomos embora. Ainda meio assustados, mas já aliviados. Decidimos terminar de beber em casa. Foi emoção demais pra quem está acostumado com uma vida pacata. Vai que em outra blitz dessa o cara não goste muito de escutar músicas…

crônica: o folião infeliz

Publicado: dezembro 25, 2007 em crônica

Essa é a história de um jovem folião. Sim, um jovem. Com coração bom. Um folião que adorava folia. Evidente, oras! Um folião que passeava de noite e dormia de dia. Portanto, um folião boêmio. Sabia de tudo que acontecia em sua cidade. Sabia das festas. Dos melhores bares. Das melhores boates. Sabia qual era o melhor dia de sair e o melhor dia de ficar em casa. Sabia das melhores bebidas. Das melhores comidas. Dos lugares pra paquerar e dos lugares pra relaxar. Era um folião-boêmio informado. Que fazia o que gostava… E sabia fazer muito bem! Fez o dever de casa. Um folião bonito. E muito simpático. E bem relacionado também. Ué, um folião desses como pode ser infeliz? Como pode ser infeliz um folião desses? Eu sei que pode. Mas ainda não está na hora. Continuemos a história do nosso folião-boêmio-informado e, agora, bonito. O folião não gostava de ficar em casa. Saía sempre. Ia para grandes shows. Freqüentava salas VIP’s. Pulava carnaval com o povão. Viajava para muitos lugares. Era muito fiel aos seus amigos. Não há quem não gostasse dele. E procurava. Ia para todos os lugares para procurar. E procurava… E procurava… E nunca achava.

E lá estava ele denovo. Procurando. E lá estava ele denovo. Numa grande festa. Numa festa da High Society. Falando com todos. E todos falando com ele.  Era simpático e bonito, como já foi dito. Seu sorriso era cativante. Seus gestos bem educados e ensaiados. Sua roupa era elegante. Seus cabelos negros, arrumados. Impecável. Muitas mulheres falavam com ele. E até esperavam que ele fosse para as festas. Era desejado pelas moças e invejado pelos rapazes. Todos queriam estar perto dele. Tirava fotos. Saía nas principais colunas sociais. Conhecia bons partidos. Mas não achava. E procurava… e não achava…

E ia para as festas. Andando… Vagueando… Procurando… Procurando um amor. Procurando a sua vida. Procurando a felicidade. Procurando por ela: Sofia. O nosso folião protagonista era simpático e bonito, tinha um sorriso cativante. Gestos bem educados e ensaiados. Roupa elegante. Cabelos negros, arrumados. Mas seus olhos não brilhavam. Não tinha o brilho de quem é feliz e ama viver. Era um olhar angustiado. De quem procura. Um olhar triste de quem procura e nunca acha. Sofia havia desaparecido de sua vida por mais de 10 anos. Ele nunca superara. E, na verdade, nunca tivera Sofia. Nunca tivera a coragem de confessar seu amor puro e sublime para Sofia. Ele nunca esquecera aquele único encontro que tiveram. Por acaso. Quando se conheceram. Teve a oportunidade de falar com ela. Trocaram algumas palavras… E ele nunca mais foi o mesmo. E sofreu desde então. Não se faz necessário dizer o conteúdo da conversa dos dois. Apenas que ele nunca esquecera Sofia. Logo ele! Que nunca acreditara em amor. Ainda mais à primeira vista! Mas nosso protagonista sabia que perdera a oportunidade de sua vida. Sabia que a vida era feita de pequenas atitudes. E que poderia ser mudada em frações de segundo. Sabia que, na verdade, a vida era feita dessas pequenas atitudes e só. Nunca pensara em grandes atitudes. Mas perdera.

E procurava…  E procurava… E freqüentava as festas. E continuava com seus gestos robustos e ensaiados. Mas sem brilho no olhar. E invejava os casais que riam e se amavam nos bancos da praça. E ele chorava. Chorava muito. E dormia. Dormia de dia com a ajuda dos remédios. E dormia de dia para não ver essas coisas. Tudo que ele invejava. E de noite saía. E procurava…

crônica: era uma vez

Publicado: agosto 19, 2007 em crônica

Era uma vez um homem capitalista. Um homem capitalista num mundo nada socialista. Nem socializável. Era uma vez um porco capitalista. Com as mesmas características que o homem capitalista. Era uma vez uma criança que gostava de pensar. De filosofar. Era uma vez um mestre. Um mestre que ensinava a criança a pensar e a questionar. Era uma vez aulas produtivas. Aulas que faziam a criança questionar. Numa dessas aulas, o mestre solicitou para a criança que ela pensasse qual era a semelhança entre um homem e um porco. Depois de pensar bem, a criança concluiu que ambos não tem a plena consciência que são porcos. O mestre achou interessante, apesar de pessimista, a resposta daquela criança inocente. Não satisfeito perguntou qual era a diferença entre eles. A criança utilizou apenas diferenças físicas. O mestre admirou a perspicácia daquela criança. Mas não conseguiu esconder um pouco de frustração por esperar uma resposta a altura da anterior. A criança também notou isso e para ela mesma, não obteve uma resposta satisfatória.

Essa criança foi crescendo e foi se esquecendo de pensar. Foi se acostumando a viver como um acéfalo. Sem a principal característica do homem. A criança, agora não tão criança assim, estudou. Estudou, se formou, trabalhou, cresceu, namorou, enganou, mentiu, chorou, sorriu, conquistou, se exibiu. Como todas as pessoas normais fazem.

No meio da estória dessa criança, que agora cresceu, trabalhos surgiram. E o jovem, que não era mais uma criança, queria mostrar seu trabalho. Afinal, ele estudou, se formou, cresceu e agora quer ganhar dinheiro. Como todas as pessoas normais fazem. Um amigo desse jovem viu que ele queria trabalhar e ganhar dinheiro e o indicou para uma instituição para vender seu peixe. Seu produto, seu projeto.

O jovem, feliz da vida por ser indicado por alguém, foi a tal da instituição para ganhar dinheiro. Conversou com o manda-chuva que disse que podia começar a trabalhar. Mas que as questões financeiras resolvessem com o Diretor Financeiro.

Conversando com o Diretor Financeiro, o jovem fez um orçamento bastante justo. Levou em consideração que ainda não era profissional. Fez um precinho de estudante mesmo. O jovem pediu 20 moedas esterlinas, enquanto que no mercado cobrariam 50 moedas esterlinas. Mas para não perder essa oferta e para começar a construir seu perfil profissional, fez esse precinho. Porque é apenas um estudante querendo ajudar nas despesas de casa. 20 moedas esterlinas não é tão ruim assim. Tem gente que trabalha durante um mês para ganhar 3 moedas esterlinas.

Mas o Diretor Financeiro fez cara feia, chorou, esperneou. Aliás, fingiu. Usou toda sua experiência de negociante para escolher a melhor oferta para instituição – não, não. De jeito nenhum ele superfaturou as notas fiscais e os orçamentos para tirar seus honorários extras. Além de superfaturar, fez o jovenzinho, que parecia uma criança, receber apenas 12 moedas pelo seu trabalho que valia 50 moedas. O jovem ficou triste mas aceitou a proposta do Sr. Diretor Financeiro.
Saiu da sala de negociações pensando no seu mestre. Lembrou da aula do porco. E notou que a poucos segundos não sabia o quê estava diante dele. Pensou naquela resposta que deu para seu mestre. Mas os anos se passaram, e seu cérebro era cada vez menor. Sua idéias, não eram boas idéias. A única conclusão que chegou sobre a diferença entre homens e porcos é que estes se tratam como semelhantes. Ora um porco trata outro porco como um porco. Mas o homem trata outro homem como um porco.

resenha: a arte da palavra

Publicado: agosto 16, 2007 em resenha

Rafael Calheiros
Resenha do livro História Universal da Eloqüência de Hélio Sodré

A palavra é uma arma acessível a qualquer homem. Independente de credo, raça, sexo ou condição social. Sua onipotência existe desde o que chamamos de história e resiste, firme e forte, até os dias atuais. Foi fundamental em momentos críticos da história conhecida e contada pelo homem, mudou rumos, criou verdades e mentiras, imortalizou deuses e heróis como enterrou vilões e covardes. Foi a palavra que informou e manipulou o homem, com o passar dos séculos. E ainda engana. É uma arma poderosa, estridente. Completo afirmando que é uma arma acessível a qualquer homem desde que o mesmo aceite o hercúleo desafio de manuseiá-la, dominá-la. Poucos se dedicam a esse árduo, mas proveitoso, trabalho. A palavra é tão poderosa que, com um simples disparo, pode destruir um ser. Aniquilar para sempre qualquer um que duvide de seu poder. Nada de quebrar ossos, deixar hematomas ou dilacerar a pele. Seu poder é maior. Invade o corpo e atinge a mente. A alma. Transforma o pobre ser, vítima do disparo, em homem-zumbi incapaz de se reerguer perante a sociedade e as futuras gerações.

Quem faz história são as pessoas que a escrevem (talvez a seu bel-prazer, já que a história é escrita pelos vencedores); que documentam os fatos. A arte da palavra faz com que conheçamos interpretações do nosso passado. Ter história. Verdadeira ou não, mas ter história. Sem a palavra escrita, documentada, o passado seria uma incógnita. E o presente, primitivo. Já que aprendemos com os erros dos nossos ancestrais para evoluir. E evoluímos, seja na ciência, espírito ou comportamento social, graças aos antepassados.

A palavra é arte, de onde deriva a literatura, outra arte. Aí entram em cena os escritores e oradores. É evidente que ao falar-se de literatura, não se pode considerar nem a fala usual, nem a escrita corriqueira. A literatura é a arte de criar beleza por meio da palavra, como diria Hélio Sodré – autor do célebre ‘História universal da eloqüência’.

Se a palavra escrita fica eternizada em livros e um grande número de pessoas pode ter acesso, a palavra falada é a mais poderosa. “O estudo dos livros é uma atividade fraca e repousada que não entusiasma, ao passo que a discussão ensina e exercita ao mesmo tempo”, disse Montaigne. A eloqüência lida com a voz e com os gestos. Por isso é a mais viva e a mais mortal das artes. A mais viva porque é palavra, voz e gesto. Quando bem usada empolga multidões. A mais mortal porque os oradores levam consigo, para o túmulo, dois dos seus requisitos primordiais: a voz e o gesto. Mas, que importa que a eloqüência é a mais mortal das artes se, quando em ação, nenhuma outra consegue sobrepujá-la?

Toda arte sugere, comunica, convida. Mas, a eloqüência impõe. O efeito das outras artes é lento, o da oratória imediato. Um livro age vagarosamente; a eloqüência, vertiginosamente. Usando mais uma vez as brilhantes palavras de Hélio Sodré: “Um livro – palavra escrita – pode gerar uma revolução. Mas a eloqüência – palavra falada – pode desencadear a revolução”. E isso porque a eloqüência não se satisfaz, apenas em expressar um sentimento ou traduzir uma idéia. Seus objetivos são maiores. Além de expressar, aspira convencer e persuadir. O orador perfeito deve reunir em si, não só as qualidades de filósofo, mas também as do poeta e as do ator. Poeta, para deleitar e comover, falando ao coração e ao sentimento. Filósofo, para instruir e convencer, falando à razão e ao entendimento. E ator, para dar vida e vigor às suas palavras.

É quase impossível não admirar um discurso eloqüente. Cometendo o sacrilégio de ‘tomar as palavras emprestadas’, exemplifico com o belo discurso de Caio Graco – notável tribuno da Roma Antiga – que antes de defender uma causa perdida, ganhou o público com sábias palavras: “Cidadãos, se sois inteligentes e honestos, não encontrareis, entre nós, um único que fale sem esperança de recompensa. Todos os oradores querem conseguir qualquer coisa. Eu próprio, que vos falo, e falo para acautelar os vossos interesses e aumentar os vossos rendimentos, também não o faço desinteressadamente. Simplesmente, não espero de vós dinheiro, mas sim atenção e aplauso!”. Só para constar, Caio Graco – jovem orador romano, em um dos seus primeiros discursos – ganhou a causa. Talvez tenha se saído muito bem por ter feito uma boa introdução. Ganhou o respeito dos concidadãos, e se sentiu a vontade no tribunal.

Para finalizar esse breve elogio à palavra, cito Victor Hugo: “Uma palavra caída de uma tribuna cria sempre raízes em alguma parte. Dizeis: não é nada, é um homem que fala. Encolheis os ombros. Espíritos de curto alcance! Dizeis que não é nada e é um futuro que germina, é um mundo que desabrocha!”

Abaixo, uma matéria que escrevi quando estava no terceiro ano da universidade de jornalismo e era estagiário de uma empresa de comunicação de jornal impresso em Alagoas:


“TCC: Sinônimo de preocupação

Monografias são uma verdadeira “dor de cabeça” para maioria dos estudantes

Desde os tempos de ensino médio, o sonho de se obter um curso superior para o ingresso ao mercado de trabalho ou carreira no meio acadêmico, povoa a mente de muitos jovens. Lutam com muito esforço e passam de uma etapa considerada muito cruel para eles: o vestibular. Depois de superada essa etapa, o sonho do curso superior está cada vez mais próximo. Até que surge o maior teste e dor de cabeça para muitos alunos, “o temido” Trabalho de Conclusão de Curso: o TCC. Três letrinhas que deixam muitos alunos com calafrios, só de pensar.

Para o estudante de Administração Carlos dos Santos, o TCC é a grande preocupação dentro da universidade. Apesar de ainda estar no 2º ano do curso, já está apreensivo em determinar logo um tema para a monografia. “Preciso achar logo um tema que me interesse para não deixar tudo para o último ano”. A maioria dos professores tenta acalmar os alunos dizendo que o projeto não é tão complicado quanto parece e ensina para eles algumas dicas para trabalhar etapa por etapa sem perder noites de sono.

Mas afinal, como fazer uma monografia? O TCC é científico se: trata um objeto de estudo (tema) de maneira tal que pode ser reconhecido pelos demais; a pesquisa diz coisas sobre esse tema que não foram ditas antes ou o aborda sob nova ótica; é útil aos demais; e proporciona elementos que permitem confirmar ou refutar as hipóteses que apresentam, de maneira tal que os outros possam continuar o trabalho contribuindo para amplitude da discussão do tema.

Muitas vezes, o aluno está no último ano do curso e ainda nem tem idéia de como fazer sua monografia, indispensável para a obtenção do certificado. Depois de tanta luta, tanto estudo, não se pode desanimar e entregar à universidade um trabalho qualquer.

Com a dedicação para concluir a monografia se aprende, entre outros saberes a:delimitar um problema; descobrir e reunir informação adequada; classificar todas as informações; exercitar o espírito crítico; comunicar os resultados por escrito; e expressar oralmente frente à banca examinadora. São lições que ajuda o concluinte a resolver problemas durante toda a vida.

A dedicação para se fazer um bom trabalho é fundamental para o projeto ser reconhecido no meio acadêmico – que facilita para uma possível especialização – e evita que ele fique jogado e empoeirado em uma prateleira qualquer da biblioteca da universidade.

Exemplo de um bom trabalho

Para Ismael Tcham, um africano de Guiné Bissau que mora há cinco anos em Alagoas, é preciso se decidir logo como fazer o Trabalho de Conclusão de Curso. Formado em Relações Públicas pela Universidade Federal de Alagoas, ele conta que suas idéias surgiram a partir do terceiro ano do curso, mas que as pessoas devem escolher o tema o quanto antes.

Por não ter escolhido o assunto tão cedo quanto gostaria, teve pequenas dificuldades para escrever o TCC. Entre elas, pequenas diferenças no idioma e por não estar familiarizado com as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), exigida pela universidade para trabalhos científicos. Por outro lado, contou com um orientador sempre presente e com um ótimo acervo do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) – que integrou parte de seu trabalho -, com artigos de jornais e material sempre novo e relevante para sua pesquisa. Com o tema “Racismo, ações afirmativas e proposta de comunicação para o neab” teve seu projeto, em parceria com o estudante David Oliveira, aprovado com louvor e sem retoque. Seu trabalho já está em processo de transformação para livro e será publicado dentro dos próximos dois anos pela editora da ufal. “Fiquei muito feliz com a aprovação máxima do projeto. Precisei refazer o projeto quatro vezes antes de apresentar à banca examinadora. Mas, todo o esforço valeu a pena”.

A banca examinadora foi sugerida pelo orientador de Ismael, professor e doutor Pedro Nunes, pelo fato de os integrantes da mesa serem especializados. Diferente do Cesmac, por exemplo, onde o aluno e o orientador não podem interferir nos nomes da banca examinadora.

Segundo a professora e doutora Clara Suassuna, que participou da banca examinadora do trabalho de Ismael, os alunos não sabem escolher o tema direito, normalmente confundem o tema com o título do projeto. Também, não tem conhecimento técnico do assunto, ou seja, lê pouco sobre o tema e logo fica desesperado achando que quase não têm livros falando sobre o assunto. Para ela, falta iniciativa do aluno. “Para se fazer uma boa monografia o aluno tem que ter tesão, amor e paixão pelo tema”, disse. Segundo a professora, é quase impossível fazer um bom TCC somente em um ano. O ideal é começar no segundo ano do curso para poder ter tempo de desenvolver bem o tema proposto. A professora também orienta cerca de sete trabalhos por ano.

Atualmente, Ismael está cursando jornalismo e já está com idéias para o segundo TCC. Pretende terminar o curso no próximo ano e ter assim, dois cursos superiores em apenas seis anos. Logo após, fazer pós-graduação e continuar firme nos estudos.”

Impressionante como na teoria eu até sei fazer um tcc…. Mas ainda continuo com essa dor de cabeça depois de muitos meses! Aquela velha história: teoria é uma coisa, prática é outra… Mas pelo menos já estou terminando. Atrasadíssimo, é verdade. Desejem sorte e força de vontade pra que eu termine logo essa droga. Não, não quero um trabalho exemplar. Quero só me formar com um trabalho “sarrabuiado” mesmo.