opinião: a exploração da fé

Publicado: julho 26, 2007 em opinião

A mistura de dinheiro, poder e religião é prática antiga na história da humanidade. No mundo ocidental, o maior exemplo disso é a Igreja Católica Romana: com mais de um bilhão de fiéis no mundo, é a maior denominação cristã, atualmente. Os tempos modernos parecem comprovar que a exploração da fé volta a fascinar milhões de pessoas em todo o mundo – agora pelas religiões protestantes -, pois, afinal, a existência de organizações religiosas não é privilégio do Brasil. Elas se espalham por todo o planeta, prometendo dinheiro, poder e salvação a seus mais generosos contribuintes.

Um dos escândalos mais recentes foi a prisão dos dirigentes máximos da Igreja Renascer em Cristo, em Miami, quando pretendiam entrar com dólares não declarados nos Estados Unidos. No Brasil, o casal fundador da nova seita – o apóstolo Estevam Hernandes e a bispa Sônia – responde a mais de cem processos judiciais, acusados pelo Ministério Público por um conjunto de crimes, pelos quais, explorando a fé de brasileiros crédulos e ingênuos (muitas vezes levados pelo desespero pessoal – desemprego, doenças, inquietações), conseguiu acumular uma fortuna avaliada em mais de R$ 19 milhões. E o que mais chama atenção – no caso da Renascer -, mesmo com todas as denúncias do MP, é a resistência dos milhares de adeptos da religião em aceitar os fatos, rejeitando as denúncias de crimes financeiros do casal dirigente e atribuindo à mídia, acusações de leviandade. Trabalho bem feito dos pastores com suas ovelhinhas…

Com isso, milhares de brasileiros continuam submissos a credos e fiéis às recomendações dos evangelizadores das mais diversas seitas religiosas que pregam, além de se fazer o bem ao próximo, a doação de dinheiro e bens como fórmula para a obtenção de graças divinas capazes de promover a melhoria de vida de seus praticantes.

A religião é algo que aparece na sociedade e nunca deixou de existir. As pessoas precisam de alguma “energia sobrenatural” para conseguir forças e resolver os problemas e preocupações da vida. A fé. Que dizem, remove montanhas. A religião existe exatamente para isso: dar soluções de problemas e encaminhar as pessoas para essa tal “força sobrenatural” – forças que estão além das forças humanas. E que não cabe aqui dizer se existe ou não. Cada um sabe no que acredita.

Mas o que acontece, atualmente, é o surgimento de várias religiões que se aproveitam do desespero das pessoas e passam a controlar suas vidas, ditando regras e afazeres. Caracterizando assim, uma forma de fundamentalismo. Sim, fundamentalismo. Não é só no Oriente Médio que existe. Toda vez que uma sociedade passa por grandes dificuldades, os fundamentalismos religiosos ganham força, isso é sociologicamente estudado. E é característica do fundamentalismo causar a negação de outra religião. De certa forma, podemos chamar as religiões de hoje de fundamentalistas. São instituições polêmicas, devido ao fato de sua teologia, seus atos, posições sociais e morais, bem como métodos de trabalho, serem duramente criticados, tanto por leigos quanto por adeptos de outras linhas religiosas, inclusive de linhas cristãs, protestantes e pentecostais.

Mas como essas igrejas conseguem tantos fiéis? Talvez pelo fato de pessoas desesperadas serem facilmente “recrutadas” pela igreja. O desespero das pessoas é o alicerce das novas igrejas. Caracterizando o “oportunismo” (por parte da igreja) e crença fortalecida pelos fiéis.

Ela promete a salvação divina, desde que o fiel siga à risca todas as regras da igreja. Quando uma pessoa procura a igreja, é sinal que está com muitos problemas e que não consegue resolvê-los. Com a vontade de mudança de atitude aliada à rigidez da igreja, muitas vezes a vida das pessoas mudam para melhor. E logo, se atribui a um milagre realizado pelo pastor e pela igreja. Ora, já que não consegue a salvação terrena, ao menos tenta a salvação divina. E para isso, basta seguir as regras da igreja. Entre elas, O dízimo e as ofertas voluntárias a Deus.

O dízimo, segundo os próprios pastores, serve para expandir a igreja, pagar concessões de rádio e TV, construir grandes templos, entre outras coisas. Eles só não dizem que é pra enriquecimento próprio. A facilidade de se conquistar novos fiéis também se deve ao “marketing religioso”: uma espécie de marketing aliado a psicologia que ajuda no trabalho com grandes massas tendo como objetivo conquistar novos fiéis.

Igreja universal – O crescimento da Igreja Universal do Reino de Deus está ligado à expansão dos chamados “movimentos neo-pentecostais” a partir dos anos 70, quando também foram criadas outras igrejas, tais como Igreja Internacional da Graça de Deus, Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra e a Igreja Renascer em Cristo. Em oito anos de existência, a Igreja Universal já dispunha de 195 templos em 14 estados brasileiros e no Distrito Federal, número que quase dobrou dois anos depois. As últimas estimativas apontam 15 milhões de féis, com presença em todos os estados do Brasil. Essa religião protestante cresce vertiginosamente principalmente por dois motivos: não é rigidamente hierarquizada como a Igreja Católica – é mais fácil se tornar um pastor do que um padre; e a promessa de libertação de todos os pecados através da igreja.

O termo libertação significa procurar a liberdade de forças que oprimam a pessoa, forças estas que no entender da igreja são muito mais sobrenaturais do que naturais e, por conseguinte, as formas de lidar com elas são fundamentalmente espirituais. Muitos dos males que assolam a humanidade, na visão da igreja (como doenças, violência, depressão, solidão, fome, privações, desemprego e pobreza), e, em particular, aos que não seguem Jesus Cristo, são associados a obras de demônios ou espíritos caídos (chamados, em alguns casos, de “encostos”). Tais espíritos podem atuar diretamente na pessoa, através de uma “possessão” demoníaca, ou ao redor dela, conspirando contra ela, através de outras pessoas ou circunstâncias (opressão). A ação de tais espíritos pode ser facilitada através de brechas. Entre elas estão a “falta de comunhão com Deus”, “pecado”, “maldição hereditária”, “maldição proferida”: inveja e mal olhado. Um reflexo direto de tal crença é a ênfase dada ao exorcismo e ritos de repreensão do mal, presentes na quase totalidade dos cultos e celebrações da Igreja Universal.

O texto foi inspirado por essa reportagem de 89, se não me engano:

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comentários
  1. pixoxo disse:

    Não sei que reportagem é essa, afinal de contas, em 89 eu tinha dois anos, e era meio difícil entender dessas coisas nessa época.
    Mas concordo com seu texto. Sempre que as pessoas estão desesperadas, se tornam crentes. As pessoas mais porra-locas que você conhece hoje, são os crentes de amanhã. Aos vinte, já perdi duas amigas para esta religião, uma lástima, elas eram muito divertidas.
    O pior é que parece que o ser-humano tem uma tendência a virar crente (ou muito religioso por qualquer religião) alguma hora da vida… acho que mais ou menos aos 40, quando ele se desilude de muitas coisas e aí resolve entregar a Deus.
    Isso é compreensível.. o que eu nunca entendi é como a pessoa pode ser tão tapada ao ponto de doar o dízimo. Lembnro que aos 14 cheguei a brigar com uma amiga por causa disso, sempre achei burrice… para eles, é como comprar seu pedaço no céu, a mesma idéia da idade-média…

  2. pixoxo disse:

    Opa, não tinha visto seu comentário no meu blog.
    Eu concordo, sempre temos que criticar o governo. Só que a mídia tá tão abusiva que eu só consigo critica-la em meu blog atualmente… eu até quero sair desse assunto, não agüento mais escrever sobre, estou até atraindo um pessoal do pstu, deus me livre! hahaha
    Eu não sou 100% a favor do governo, muito pelo contrário. Só que não concordo com seu comentário de que nunca houve tanta corrupção. Vou corrigí-lo: nunca houve tanta corrupção divulgada. Pois ela, sempre existiu… em tantos anos de PSDB aqui em SP e dessa direitona no poder, se a mídia quisesse, aposto que ficaríamos de cabelo em pé com o que existe encoberto…

    beijos!

  3. pixoxo disse:

    Não pude vere o vídeo pq eu tô no trabalho… mas se for aquele clássico vídeo do Edir Macedo chutando a imagem da santa eu sei qual é!

    já comentei demais aqui, chega! rs…

    beijos

  4. Ewerton disse:

    Muito obrigado por postar esse artigo aqui. Ele me ajudou p/ caramba p/ fazer um trabalho de sociologia sobre etnocentrismo.

  5. Pitágoras B Ribeiroi disse:

    Os VENDILHÕES DO TEMPLO foram expulsos por Jesus, que irritado, espalhou o dinheiro dos mercadores e derrubou as mesas tendo ainda usado uma linguagem causticante e incisiva contra os sacerdotes fariseus de seu tempo: “Ai de Vós, escribas e fariseus hipócritas” (Mateus, 23: l4); “serpentes, raças de víboras” (Mateus, 23:23); “escribas e fariseus hipócritas, sois semelhante aos sepulcros caiados, que aos homens parecem belos por fora e por dentro estão cheios de ossos mortos e de toda asquerosidade” (Mateus, 22:27-28). Podemos notar que os “vendilhões do templo” continuam a existir. Sabem da incapacidade do ser humano em raciocinar sobre a fé. As seitas e religiões dos dias atuais conseguem arregimentar e manter sob seu jugo as pessoas que estão sempre em busca de Deus e temos que admitir que todas elas mantêm alguma obra social, para o amparo aos mais necessitados; mas a verdade é que existem fortes evidências de que grande parte das doações serve mesmo é para manter a riqueza, as mordomias e o poder dos dirigentes de tais instituições, basta vermos o noticiário dando conta de que o dinheiro da Igreja Universal do reino de Deus foi desviado para o patrimônio particular de seus lideres e para empresas que serviriam para a “lavagem” de dinheiro, bem como a prisão dos dirigentes da Igreja Apostólica Renascer em Cristo. “Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o coração do SENHOR!” ( Jeremias, l7:5 ); “aquele que ajunta riquezas, mas não retamente”(l7:ll-l3). Infelizmente esse tipo de escândalo envolvendo lideranças religiosas não vai resultar em nenhuma mudança de comportamento por parte daqueles que vivem da exploração da fé.

  6. josé carlos disse:

    Concordo com seu comentário,se as pessoas acreditassem mais no onipresente,poderiam deixar de serem ovelhas,pois ovelhas servem para serem tosqueadas,pelos pastores.

  7. Paulo Luiz Mendonça. disse:

    FRENÉTICA ADORAÇÃO A DEUS

    A frenética adoração a Deus, a Cristo e a todos os profetas, no meu modo de ver é um exagero desnecessário.
    Não acho que Deus seja vaidoso para gostar de bajulação, não é necessário que dediquemos nossas vidas em seu louvor com tanto entusiasmo. Isso me parece mais propaganda do bajulador, ou então o mesmo se encontra com problema de consciência. O que Deus quer, na verdade, é que nós sigamos as normas e as leis do bem, da moral e da decência. Esta adoração desenfreada não nos levará a nada, porque este procedimento dá á nítida demonstração que nós, não estamos entendendo o verdadeiro caminho, estamos agindo como cegos e não estamos notando o sentido da coisa. Está provado ou pelo menos se supõe, que Deus é amor e bondade, ele tenta nos ensinar o caminho correto através de Cristo e de todos os profetas que vieram à terra. Os ensinamentos destes profetas são para nós como um curso, onde foi ensinado tudo o que se deve fazer ou não fazer. Portanto, se conclui que o templo religioso é na verdade uma escola, que devemos freqüentar e aprender os ensinamentos e posteriormente aplicá-los. Com o aprendizado concluído não necessitamos mais ir à escola, daí em diante é só praticar o que foi assimilado pelas nossas faculdades intelectuais. Pelo que vejo, freqüentadores assíduos dos templos religiosos são na verdade maus alunos, pois não conseguem aprender os ensinamentos e nem pô-los em pratica. Para mim estes são alunos repetentes incorrigíveis, na verdade não conseguem aproveitar bem as aulas recebidas, estão sempre lá ouvindo as mesmas lições. Cristo disse em seus ensinamentos, “amai o próximo como a ti mesmo” esta máxima por acaso alguém entendeu?

    Não, todas as semanas voltam lá no templo para ouvir as mesmas aulas, porque não aprendem? Hora, se eu vou à igreja ouço o pastor, padre ou qualquer outro mestre em teologia falar, Cristo disse nos seus ensinamentos, “amai o próximo como a ti mesmo, não julgueis para não serem julgados” ou ainda, “perdoais seus inimigos,” nós imediatamente concordamos e aprovamos aquelas sábias palavras, a partir destes ensinamentos, o que devemos fazer, é praticar o que foi por nós aprendido, mas o que acontece na verdade? Na próxima semana estamos lá novamente, porque não conseguimos por em prática nada do que foi ensinado. Nós continuamos sendo egoístas, maledicentes e hipócritas, continuamos a julgar nossos irmãos, e continuamos a não perdoar nossos inimigos, portanto, se não conseguimos por em prática, o que aprendemos, continuamos no mesmo estágio evolutivo, não houve progresso, acham vocês que é isto que Deus espera de nós? Não, ele não deseja que estejamos sempre lá, louvando-o, dando a nítida impressão de pura falsidade. O que Deus quer na verdade, é que entendamos seus ensinamentos e passamos saber qual o caminho do bem e da moral. Deus não precisa de louvores e badalações, pois ele está muito acima de tudo isso, o que ele quer de nós, é pura e simplesmente que sejamos bons, que tenhamos o coração cheio de amor para dar. Diante disso devemos lembrar, das palavras do apostolo Paulo “não vale nada a fé sem as obras,” portanto, se agirmos da maneira correta, estaremos dando bons exemplos, esses bons exemplos poderão ser seguidos por pessoas próximas a nós, pois se sabe que a bondade atrai a bondade. Agindo assim estaremos espalhando o bem sobre a face da terra, o bem espalhado destrói o mal, assim como a luz destrói a escuridão.
    Muitos poderão me contestar, dizendo que indo a igreja se aprende mais. Mesmo diante de contestações deste tipo, continuo dizendo, a assiduidade exagerada à casa de Deus é bobagem, porque, por exemplo, os ensinamentos de Cristo, são claros como água, não há nenhuma dificuldade para ser entendido, são frases simples e objetivas a qual tem em seu conteúdo um profundo sentido. Atentem para este, amai seu próximo como a ti mesmo, acham isto difícil de entender? Isso não é difícil, o que o torna difícil é porque contrariam os nossos interesses, nosso egoísmo e nossa pequenez, o próximo para nós, na maioria das vezes, é considerado um inimigo, um concorrente. Quando ouvimos algum ensinamento que nos interessa, acatamos, aplaudimos e nos manifestamos até com palmas, mas quando o ensinamento fere nossos interesses, passamos nos fazer de mal entendedor e torcemos o nariz. Ao invés de ir ao templo religioso para continuar a ouvir as coisas repetitivas sobre o velho testamento, os lideres religioso, deveriam usar a casa de Deus para coisa mais útil. Por exemplo, como escola de aprendizado prático, tais como cursos profissionalizantes, ensinar normas de uma boa nutrição, normas de convivência em sociedade, e por que não, cursos para nos ensinar a se defender de políticos inescrupulosos. Outra coisa interessante, orientação familiar, ensinando a nós como educar melhor nossos filhos, para que eles possam enfrentar com mais facilidade as dificuldades da vida. Outra coisa que seria muito proveitosa: os adeptos se reunirem no templo uma vez por semana para congratularem-se e também trocarem idéias a respeito dos bens praticados durante a semana isso seria maravilhoso até Deus aplaudiria estes feitos.No caso de usar os templos como centro de ensino, essas associações, unidas no mesmo propósito, seria na prática uma grande e importante universidade. Esta organização teria estrutura e espaço físico suficiente para este empreendimento. O que falta é mudar as coisas não práticas, para coisas práticas e objetivas.
    Continuando minhas observações, atento para um simples fato, quando freqüentamos uma faculdade, estamos lá para aprendermos uma profissão, neste período nós concordamos com tudo aquilo que nos estão ensinando. Durante o tempo em que estamos sentados nos bancos escolares, vemos nossos professores como sábios, acatamos todos os seus ensinamentos, sentimos até uma certa adoração por eles, suas sábias palavras estão nos encaminhando para um futuro melhor, mas quando terminamos o curso, não temos mais a necessidade de continuarmos a adorar nossos professores, o que temos que fazer e por em prática tudo aquilo que nos foi ensinado. Com nossos progenitores é a mesma coisa, eles nos ensinam que devemos viver uma vida decente, sermos trabalhadores, honestos e que devemos seguir os bons conselhos recebidos e pô-los em prática, é exatamente isso que nossos pais esperam de nós, alguém pode pensar que eles gostariam de receber de nós somente uma frenética adoração? Não, o que eles querem é que nós adoremos seus ensinamentos e os coloquemos em prática. Na igreja também se da a mesma coisa, o que Deus espera de nós não é toda esta badalação, semanal, diária e até de hora em hora. O que o criador almeja na verdade, é que nós estejamos sintonizados com as coisas do bem e com a extrema preocupação com a decência, também deseja que o nosso amor ao próximo esteja sempre florescendo em nossos corações, que nosso egoísmo, maledicência, orgulho e muitos outros defeitos sejam extirpados do nosso interior. Deus quer também, que nosso comportamento seja de elevação espiritual, para que possamos ser mantidos como verdadeiros filhos do criador. Sendo assim, esta prática de estar sempre freqüentando a igreja, estar sempre ouvindo as mesmas ladainhas, é somente perda de tempo, se continuarmos a proceder desta maneira, ou seja, os ensinamentos entram por um ouvido e sai pelo outro, agindo assim, nós continuaremos a viver em um vazio profundo. Seguindo nesta trilha estaremos, apenas e tão somente, exercendo uma fé cega, sem nenhum proveito. Temos que abandonar a maneira bitolada imposta pelas igrejas. Além de freqüentar os templos, devemos fazer também nossas próprias pesquisas, ou nunca encontraremos o verdadeiro caminho, caminho este que nos levará a perfeição espiritual. Se continuarmos sendo guiados sem usarmos um pouco do nosso bom- senso, estaremos sendo cegos guiados por cegos. Muitos vão aos templos para demonstrarem que são bons, que são tementes a Deus, mas não se esqueçam, lá vão os hipócritas e também os falsos, há muitos que usam a bíblia e a igreja para esconder suas garras, muitos usam pele de cordeiro sobre o pelo ardiloso dos chacais. Este fato é muito conhecido. No passado os barões, donos de grandes fazendas. Eles chicoteavam seus escravos, após mandá-los para o tronco, estes mesmos poderosos que empunhavam a bíblia com muita pose, também submetiam aos maiores sofrimentos e humilhações os pobres negros indefesos. Após estas práticas abomináveis durante a semana, no domingo estavam eles lá na igreja, dando suas polpudas oferendas que eram bem aceitas pelos membros da paróquia. Lá diante do altar, demonstravam se condoer com o sofrimento de Cristo na cruz, mas em suas fazendas submetiam os negros escravos a torturas e sofrimentos bem parecidos com o sofrimento pelo qual passou Jesus, portanto não se esqueçam; Nos templos existem entre freqüentadores, bons e hipócritas, os quais são lobos disfarçados de cordeiros, os bons e os maus se misturam na aparência, mas não na essência. Pois lábios que proferem orações, pode ser os mesmos que fazem falsas acusações, que maldizem a vida alheia, há pessoas que se curvam para reverenciar as entidades supremas, estas mesmas são capazes de desembainhar a espada para atacar seu semelhante. Já foi estudado por antropólogos: é sabido que, o ser humano por ser inteligente, tendo a faculdade do raciocínio, se preocupa muito com o fato misterioso da morte, sendo este acontecimento inevitável, o ser humano busca através da entidade Deus um pouco de alento e esperança na expectativa do além- túmulo. Esta situação de duvida vem dos primórdios da raça humana, no início tudo era um mistério total, mas com a evolução, muitas coisas foram se aclarando, muitos mistérios que havia no passado foram facilmente esclarecidos através de pesquisas da ciência, mas mesmo com o adiantamento extremamente rápido que se observa nos dias de hoje, o mistério principal que se refere a Deus continua sobre uma intrincada penumbra. Nós, seres humanos, observando a grandiosidade do universo e também de tudo que há de maravilhoso na natureza, chegamos à conclusão, que há em todo este intrincado mistério um criador. O que nos leva a isto é o nosso bom-senso, se há beleza na natureza, alguma entidade bela tem que ser o criador. Se notarmos na natureza uma perfeita harmonia e porque alguma coisa ou entidade muito harmoniosa esta por traz dando esta sustentação. Diante de tudo isso que nos rodeia e o que nos leva a pensar em algo acima da nossa parca visão. Isto que digo que é misterioso e que está acima de nós. Este mistério não está somente acima de nós, pessoas comuns, está também sem sombra de duvida acima daqueles que dizem saber tudo a respeito de Deus. Todos nós sobre a face da terra temos as mesmas duvidas e incertezas, só que muito dos lideres religiosos tem por traz dos seus interesses, a intenção de atrair para si o monopólio da verdade absoluta. Eles também estão como nós, seres comuns envoltos no mesmo mistério e na mesma duvida, mas passam para seus seguidores, a crença de que a verdade foi alcançada e muito bem entendida. Eles passam para nós, a impressão que tudo é muito simples e perfeitamente compreensível, mas como nós somos seres inteligentes, somos dotados de cinco sentidos e também um importante cérebro que nos proporciona a faculdade do raciocínio; esta dádiva de Deus que nos leva a poder julgar estas explicações religiosas, se elas têm ou não pelo menos um pouco de lógica ou coerência. Não podemos fechar os olhos e deixar-nos guiar por este desconhecido caminho, parece pelo menos para o meu entendimento que não esta nos levando para lugar algum. Sei que tudo que pregam sobre Deus não é de todo perdido, estes ensinamentos mesmo não sendo a verdade absoluta, tem a incumbência de levar as pessoas a se sentirem um pouco mais confortadas diante dos mistérios da morte.Mesmo estas pessoas estando seguindo um caminho incerto, isto serve de ajuda, de alento e de esperança. Estes ensinamentos pregados pelas igrejas têm um podem, eles podem ajudar ou atrapalhar nossas vidas. Ajuda se colocarmos em prática os preceitos de Cristo, Buda ou quaisquer outros profetas enviados a terra por Deus. Seguir estes bons preceitos nos enriquece o espírito, mas estes ensinamentos podem também atrapalhar se nos transformarmos em cegos e fanáticos, porque o fanático deixa de raciocinar e passa a ser dirigido em seus pensamentos por terceiros que os manipulam a seu bel prazer, transformando-os em marionetes, é ai que está o perigo de um retrocesso espiritual. Seguindo minhas pesquisas sobre religiões, noto que há uma pequena luz no fim do túnel, esta pequena luminosidade vem da doutrina espírita que para mim é no momento a mais coerente das religiões. Mesmo assim, após terem transposto o misterioso mundo do além, ou seja, o mundo espiritual, mesmo eles tendo dado um grande passo, acho que mesmo com o grande avanço obtido, ainda estão muito longe de desvendar o grande mistério das entidades supremas. A doutrina espírita, já teve um grande avanço, mas o caminho ainda é muito longo. Parece-me que a direção é esta, não deve haver dúvidas. O que noto de importante no espiritismo é a diferença que há em relação às outras religiões, enquanto as outras continuam bitoladas em dogmas e mesmices repetitivas, o espiritismo se esmera em estudar e pesquisar. Este procedimento dá a esta doutrina, um dinamismo que é necessário em
    tudo no mundo que almeja progresso, tudo que há sobre a face da terra, e em todo o universo, não pode ser estático. A água da lagoa e estática ela apodrece, cria lodo, o rio e dinâmico, corre, serpenteia pelas planícies ou planaltos, sempre renovando seu teor de oxigênio e caminhando sempre para frente em busca do mar, que é o pai de todos os volumes de água. As religiões também tem o dever se ser dinâmicas, pesquisar, evoluir e não ficar presa a dogmas da idade média, ou mesmo de períodos mais remotos. Devemos caminhar para um mundo melhor, onde com o aperfeiçoamento espiritual possamos alcançar o ceio do criador, o que nós não podemos fazer, é ficar estacionados em um só ponto. Se continuarmos usando livros antiguíssimos que já tiveram sua importância no passado, mas agora diante do dinamismo da evolução que a vida nos impõe, devemos criar novos livros, que possam ajudar a esclarecer de uma forma mais dinâmica, para ajudar as novas gerações que estão chegando. No passado nós usamos carroça, que foi muitíssimo útil em seu tempo, para nossa época atual, devemos usar coisas mais apropriadas, devemos usar o passado só como lembrança sem se apegar a ele. O que devemos fazer é aliar os ensinamentos do passado conjuntamente com as descobertas do presente e caminhar em direção ao futuro, sempre com a mente aberta em busca de novos horizontes. Pois é isso que Deus quer que façamos, quer que nós o encontremos. Não se esqueçam: não chegamos a Deus, fisicamente, chegaremos a ele como espíritos, portanto não é só simplesmente caminhar em sua direção, é preciso que durante o trajeto devamos ir melhorando nossa conduta moral, apagar a chama do egoísmo, do orgulho e da maledicência. Para chegar a Deus não é só freqüentar templos e pagar dízimos, nada disso nos levará ao criador, pois o aprimoramento espiritual encurta o caminho para a glória, a decadência do espírito terá seu caminho aumentado em sua extensão, sendo assim Deus não está em um determinado ponto fixo, ele está na verdade onde nossa pureza de espírito estiver. A nossa glorificação só se dará pelo bom uso do nosso livre arbítrio, portanto, sempre pratique o bem, a caridade e fundamentalmente o amor ao próximo. Se quisermos a felicidade, não a devemos buscá-la nos templos, nem nas coisas maravilhosas que a vida nos oferece. Sua felicidade será encontrada de uma maneira muito simples, pois ela está dentro de você, ela está aí bem guardadinha dentro da sua consciência que é o canal de ligação com Deus.

    Autor, Paulo Luiz Mendonça.

    Frase proferida por um religioso Hindu.

    Mãos que ajudam, são mais sagradas que lábios que oram.

    Esta crônica é extraída do livro Crônicas indagações e teorias, de autoria de Paulo Luiz Mendonça. Editora Scortecci.

  8. Paulo Luiz Mendonça. disse:

    Livros Sagrados.
    Quanto mais vivo neste planeta, mais bobagens ouço falar. Os partidários da Bíblia Sagrada, falam com uma convicção tão entusiasmada sobre a veracidade do seu livro, como se eles estivessem participado efetivamente da elaboração do mesmo. Ora este livro foi escrito a tanto tempo, nem se sabe verdadeiramente se foi escrito por profetas ou por pessoas comuns. Outra coisa muito importante, todo estes anos A Bíblia teve varias traduções, em todas Houve varias modificações, às vezes por dificuldades de interpretar certas palavras, e na maioria das vezes por interesse de quem a esta traduzindo. A Bíblia Sagrada, não é a única, existem muitos outros livro sagrados. Temos o alcorão, livro islâmico, temos os Vedas livro da religião da Índia, e muitos outros livros sagrados espalhados pelo nosso planeta. Para mim, ignorar os livros sagrados das outras religiões, e dar crédito somente a nossa Bíblia não passa de interesses particulares e mesquinhos. Deus não é monopólio somente de quem acredita na bíblia Sagrada, Deus se existir realmente ele está a disposição de todos os religiosos da terra e não apenas de um ou de outro grupo. Temos que dar um basta neste jogo de interesses que há no comportamento humano. Temos que praticar mais o amor ao próximo, eliminar de nós o egoísmo, a maledicência, o orgulho, a hipocrisia, o individualismo e muitos outros defeitos que são heranças malditas de todos nós seres humanos. Temos que ter bom senso, refletir com seriedade, todos nós estamos no mesmo barco da incerteza, por isso temos que ser coerentes e remar todos na mesma direção, assim chegaremos mais rápido ao destino desejado, se continuarmos sendo individualistas querendo levar vantagens em tudo não chegaremos a lugar nenhum. Se somos filhos de um mesmo Deus, para que a discórdia, afinal somos todos irmãos, por isso temos que nos irmanarmos para um só propósito, buscar e encontrar a paz e a felicidade tão almejada por todos..

    Paulo Luiz Mendonça. Autor do livro, Crônica, Indagações e Teorias. Editora Scortecci.

  9. Paulo Luiz Mendonça. disse:

    Manifestação religiosa.

    A manifestação religiosa, ou seja, a busca de um Deus exercida pelos seres humanos, dizem os entendidos que esta manifestação se dá porque existe dentro de nós uma chama flamejante e divina a qual nos impulsiona a crer em um ser superior e criador do universo como um todo.
    Eu particularmente não acredito em nenhuma chama flamejante interna nos levando para esta manifestação.
    Em primeiro lugar se o ser humano fosse eterno não houvesse a morte, ou seja, o fim da vida, esta manifestação, esta chama flamejante nem faria parte do nosso vocabulário, também não faria parte do nosso intimo. O que acontece na verdade é que o ser humano morre de medo só de pensar na morte, e como será alem dela. Todos nós sabemos que ela é impossível de ser evitada. Diante desta preocupação com o alem tumulo e que leva os seres humanos a buscarem alguma coisa na sua imaginação, ou ainda nos ensinamentos vindo de pessoas que professam religiões, mesmo que estes ensinamentos não sejam verdadeiramente provados, eles acreditam para aliviar um pouco as suas preocupações com o futuro incerto. Sendo assim eles se contentam com uma fantasia qualquer para aliviar suas duvidas e amenizar o medo mórbido da morte.
    A maioria das pessoas irão se arrepiar com esta crônica, irão dizer que é uma escabrosa heresia, mas estou tranqüilo porque, ela está baseada em raciocínio lógico e coerente, é só analisá-lo friamente sem a interferência de dogmas religiosos.
    O que leva a maioria dos seres humanos a buscarem as religiões não é nada mais do que buscar ajuda para problemas de saúde, de dificuldades financeiras, ou por problemas de foro intimo. Observem buscar ajuda: Ninguém se preocupa em levar ajuda para ninguém, pensam somente em angariar vantagens, isso é próprio do nosso egoísmo
    Pessoas, sem os problemas relacionados acima, dificilmente são freqüentadoras assíduas de templos religiosos. Elas freqüentam bem moderadamente sem muito fanatismo, muitas vezes, somente para fazerem se passar por pessoas cheias de moral, para mostrarem que são tementes a Deus, mas o egoísmo, maledicência, orgulho, arrogância e o individualismo continuam intactos na consciência sem nenhum progresso.
    O progresso tecnológico executada pela mente humana caminha rapidamente para um futuro promissor, continua avançando a passos largos, mas infelizmente a moral humana continua caminhando para traz, sempre retrocedendo. Continuando assim a moral humana que dizem ser a essência de Deus estará voltando lá para a idade da pedra.
    Paulo Luiz Mendonça, autor do livro Crônicas Indagações e Teorias. Editora Scortecci.

  10. Paulo Luiz Mendonça. disse:

    ARCA DE NOÈ.

    Quando leio, na bíblia sagrada acerca da arca de Noé, vejo esta passagem como tendo um entendimento apenas figurado. Por que esta afirmação? Tudo que acontece neste mundo tem que ter coerência, uma arca com um casal de cada animal da terra, é humanamente e fisicamente impossível, não há como tantos animais em um único espaço. Os animais herbívoros, até poderiam ser colocados nesta arca, o que se torna difícil para não dizer impossível, seriam os animais carnívoros. A dificuldade estaria em dois fatores, primeiro na separação destes animais, nos podemos colocar um herbívoro com outro herbívoro, não haveria problema, mas não se pode por um carnívoro com outro carnívoro, seria um desastre. Em segundo fator, seria a alimentação destes animais durante quarenta dias, teria que ter uma reserva de carne considerável para alimentar todos. Diante destas dificuldades, nós temos que entender de uma vez por todas que esta referencia, sobre arca de Noé, seja sem duvida uma alegoria, não da para pensar em outra possibilidade. Mas por outro lado, existe muitos estudo, sobre esta arca. Dizem alguns pesquisadores, que no monte ararat existem vestígios da arca. Ora, se o assunto é figurado não pode haver nenhum vestígio. Há divergência entre os adeptos do aspecto figurado e os adeptos da realidade da arca. Para resolver este problema de uma vez por todas vou dar minha humilde opinião. O que teve ter acontecido na verdade, Noé era real a arca também era real. O que pode ter acontecido? Estou dizendo isso por hipótese, Noé sendo uma pessoa muito religiosa, e inteligente, deve ter recebido uma espécie de aviso, talvez esta comunicação tenha vindo, por intuição, alguma visão ou um sonho. O aviso recebido, era lhe alertando que choveria quarenta dias e quarenta noites. Ele acreditando neste aviso, pensou com inteligência. Reuniu sua família a qual deveria ser numerosa, naturalmente deveria ter filhos homens, fortes e trabalhadores. Assim planejaram construir uma arca bem grande, pois madeira naquele tempo não deveria ser problema.
    Assim construíram uma embarcação compatível com a quantidade de animais que possuía, colocou na arca seus animais domésticos, tais como, seus bois, vacas, cavalos, ovelhas, enfim todas suas criações.
    Naturalmente deve ter armazenado bastante alimento para os quarenta dias. Se os vestígios da arca realmente esta la no monte ararat, a única explicação plausível é esta. Se alguém tiver uma resolução do problema melhor que esta eu gostaria de saber.
    Nota, um evangélico deu-me uma desculpa esfarrapada para os animais carnívoros, disse ele “ naquele tempo os animais eram todos herbívoros “ Da para aceitar uma besteira dessa, se sabe que a evolução caminha para a perfeição, segundo esta explicação se deu ao contrario os animais eram herbívoros e regrediram para carnívoros

    Esta crônica foi extraída do livro Crônicas Indagações e Teorias autor Paulo Luiz Mendonça. Editora Scotecci.

  11. Paulo Luiz Mendonça. disse:

    Deus, o mistério.

    Existe em um lugar qualquer do nosso planeta, uma caixa hermeticamente fechada. Esta caixa esta imóvel não tem nenhum odor, não há nada que a identifique. Muitos humanos passaram a observar, andaram a sua volta, a examinaram, chegando até tocar com as mãos, mas nada puderam perceber, era impossível saber seu conteúdo. Esta caixa continua a ser um grande mistério. Algum esperto teve uma idéia maravilhosa e disse; Deus o nosso criador esta nesta caixa, após dizer isso passou a descrever como seria este Deus, ele é onipotente, bondoso e justo, nós somos a sua imagem, ele foi o criador do universo. Foi assim que começou a primeira religião monoteísta.
    Como o negocio foi ficando muito lucrativo, apareceram outros adotando a mesma idéia e assim foi proliferando todo tipo de crença. A caixa continua lá no mesmo lugar e muito bem fechada como sempre esteve. Aquele pseudo conhecimento de Deus foi se alastrando por todo planeta, cada um dando sua versão de acordo com seus interesses, mas até o dia de hoje a caixa não foi aberta tudo que se fala, sem nenhuma duvida são suposições, pois o mistério continua, ninguém pode dizer que já o desvendaram, acredito que nunca será desvendado, passam gerações e gerações, e o mistério continua a desafiar nossa imaginação. Tudo que é pregado pelas religiões, são somente suposições nada pode ser provado até hoje.
    Não pensem que sou ateu, nada disso apenas tenho um cérebro para pensar, para raciocinar. E qualquer explicação que não tenha coerência, não posso aceitar como verdade. Penso que deve haver um criador de todo este misterioso universo, mas este misterioso criador não precisa ser necessariamente divino pode ser um criador sem dotes celestiais, isso não lhe tiraria os méritos diante de tamanha construção.
    Sei muito bem que minhas palavras não irão mudar nada na humanidade, pois isso já esta enraizado na mente humana não há como mudar. Gostaria que pelo menos as pessoas usassem mais o potencial maravilhoso dos seus cérebros, refletissem com mais clareza, deixando com isso de ajudar muitos espertos a montarem verdadeiros impérios de poder em nome deste Deus que continua fechado na caixa misteriosa.

    Paulo Luiz Mendonça. Autor do livro Crônicas indagações e teorias. Editora Scortecci.

  12. Caetano disse:

    Compus uma canção que trata do tema deste fórum, chama-se o Vendedor de Para-raios, aquele que se alimenta do medo do povo no http://www.myspace.com/ossoedente

  13. roberto da silva rocha disse:

    Evangélicos Modernos e o NeoPetencostismo
    A CF garante a todos os cidadãos a liberdade religiosa e a todos os credos a o Direito “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias” (artigo 5º, inciso, VI, da CF).
    “A CF garante a todos os cidadãos através da Instituição do Ministério Público, que, entre várias outras importantes funções, deve zelar pelo respeito aos direitos fundamentais.” Em se tratando do novo papel do Ministério Público, Alexandre de Moraes cita a lição do Ministro Sepúlveda Pertence : “ É o patrocínio desinteressado de interesses públicos, ou essa proteção desinteressada, mesmo de interesses privados, mas aos quais se quis dar proteção especial , interesses sociais e individuais indisponíveis que justificam o papel do Ministério Público. “
    1. Tendo em conta o princípio constitucional da presunção de inocência, insculpido no art. 5º, inc. LVII, da Constituição Federal de 1988, no sentido de que “ninguém será considerado culpado até o trânsito de sentença penal condenatória”, a prisão provisória somente é admitida como ultima ratio, quando fique plenamente demonstrada a sua necessidade.
    2. Os dispositivos constantes em diversos diplomas legais impedindo a concessão do benefício da liberdade provisória (art. 7º da Lei nº 9.034/95, art. 30 da Lei nº 7.492/86 e art. 3º da Lei nº 9.613/98: devem ser interpretados à luz da CF/88, somente restringindo-se o status libertatis do acusado nos termos do disposto no artigo 312 do CPP, vale dizer, apenas quando presente um dos fundamentos para a prisão preventiva, não consubstanciando as referidas normas legais, per se stante, base suficiente para a custódia. Entendimento recentemente manifestado pelo STF (Rcl 2391 MC/PR, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, Rel. p/ o acórdão Min. Joaquim Barbosa, 18.12.2003; RHC 83810/RJ, Rel. Min. Joaquim Barbosa, 18.12.2003; HC 83584, QO/SP, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, 16.12.2003).
    3. Em face do caráter de excepcionalidade, o exame dos fundamentos legais para a decretação da prisão preventiva deve ser feito cum grano salis, limitando-se àquelas hipóteses em que haja elementos concretos indicando que o status libertatis do denunciado representa ameaça efetiva à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal, com exclusão, portanto, de presunções e/ou conjecturas.
    4. As invocações relativas à gravidade do delito, ao clamor público e à garantia da credibilidade da Justiça não se revelam idôneas para dar suporte à manutenção da custódia cautelar. Precedentes do STF.
    5. Destarte, impõe-se a revogação da preventiva, tendo em vista a inexistência dos requisitos autorizadores previstos no artigo 312 do CPP, relevando, ainda, em favor do paciente, a primariedade e o fato de possuir residência fixa.
    Os autodenominados e os também formalmente denominados pastores que prometem serviços em troca de remuneração enquadrar-se-iam em crime previsto no art. 171 do CPP, incidindo em estelionato.
    Estes são reincidentes e são ameaças permanentes e reincidentes à segurança pública. Estes criminosos têm plena consciência de seus atos e provocam o resultado que desejam obter metodicamente, e repetidamente, iludindo os desesperados que são aliciados pelas promessas de solução de suas demandas.
    Práticas criminosas de exercício irregular não-autorizado das diversas profissões desde a medicina até a psicologia, passando pela psicanálise e psiquiatria.
    Anunciam falsos resultados falso-positivo e falso-negativo de curas e de transformações psicossociais e financeiras, arvora-se em conselheiros e assistentes financeiros e administrativos de patrimônio alheio, incidindo em crimes contra o sistema financeiro.
    Nenhum médico pode prometer e garantir o resultado positivo do tratamento ao seu paciente, senão comprometer-se a utilizar de seu melhor conhecimento e de meios para provocar as condições de melhor restabelecimento e esperar a natureza fazer a sua parte na terapia.
    Ao contrário, estes estelionatários prometem conceder através dos poderes que se autoproclamam recebedores de parte de entidades superiores e místicas, assim concederem as graças para a saúde física e financeira, quiçá, psicossocial para sanarem problemas que vão desde uma amplíssima gama de casos dos casamentos desfeitos até desenganos trabalhistas, desemprego, depressão, desilusão, mal-olhado, inveja, e todo o tipo de insucesso pessoal e profissional.
    O termo grego ataraxía, introduzido por Demócrito (c. 460-370 a.C.), significa tranquilidade da alma, ausência de perturbação. É um conceito fundamental da filosofia epicurista e dos céticos, e pode traduzir-se como imperturbabilidade, ausência de inquietação ou serenidade do espírito.
    Ataraxia é a disposição do espírito que busca o equilíbrio emocional mediante a diminuição da intensidade das paixões e dos desejos e o fortalecimento das almas face às adversidades. A ataraxia caracteriza-se pela tranquilidade sem perturbação, pela paz interior, pelo equilíbrio e moderação na escolha dos prazeres sensíveis e espirituais.
    A ataraxia está muito próxima da apatia proposta pelos estoicos, na medida em que ambas caracterizam estados anímicos que contribuem para o alcance da felicidade através da disciplina da vontade para moderar os desejos e para aprender a aceitar os males voluntariamente. Ambas promovem a liberdade face às paixões, aos desejos, às coações, às circunstâncias e, mesmo, ao destino.
    Distingue-se da apatia pela forma como promove a felicidade. Enquanto esta procura eliminar as paixões e desejos, a ataraxia tenta criar forças anímicas para enfrentar a dor e as adversidades. A ataraxia implica saber aceitar as situações e conviver com elas, ponderando o sentido e a utilidade dos prazeres e do que possivelmente magoa.
    A ataraxia surge, muitas vezes, complementada pela aponia, que se traduz por ausência de dor, ausência de esforço como sofrimento. Segundo Epicuro, a felicidade alcança-se com a ataraxia, que proporciona um prazer estável, e deve ser acompanhada pela aponia, ou seja pela ausência de dor física.
    Esta praga ocidental introduzida pelo objetivo da busca da felicidade através do caminho do menor esforço possível, também chamada pelos utilitaristas de racionalidade individual, tem lançado as pessoas desesperadamente em busca de atalhos para esta alegria efêmera, que pode vir desde um gole de uma gelada cerveja, até o sexo inconseqüente, e no estado mais agudo ao uso de crack e outras drogas mais sociais.
    As pessoas elegeram, em nome destes princípios, que somente estarão realizadas quando alcançarem a tal felicidade. Essa busca por algo que nem sequer sabem se realmente a desejam quando encontrá-la, na fazem perguntas para si mesmo se é isto que é importante para as suas vidas.
    Em primeiro lugar deveriam perguntar para que serviria a felicidade. Depois, a segunda e óbvia pergunta seria: se a felicidade seria em si mesmo um fim para o seu projeto de vida. A terceira pergunta seria então: o que seria de suas vidas depois de alcançar a felicidade.
    Respondendo a estas perguntas os filósofos gregos criaram pelo menos quatro variantes de escolas de pensamento filosófico para justificarem cada uma destas possibilidades.
    A questão moral (costumes), que é a Ética secular da praxis social, foi derivada da tentativa de substituição à época dos filósofos gregos desde 550 a. C., dos preceitos determinativos do comportamento social e pessoal dados pela religião e pela tradição: tais preceitos doutrinários e dogmáticos.
    Quando se tentou substituí-los (a religião e a tradição) pela racionalidade filosófica, dando-se aos preceitos éticos as justificativas lógicas e principiológicas para o comportamento considerado reto, socialmente aceitável, baseados na razão instrumental.
    Eliminar-se-iam o medo da punição eterna, da punição de consciência, o medo da reprovação social baseada nos costumes tradicionais intraduzíveis, místicos e míticos, pelas variantes racionalistas principais: a) Ataraxia; b)Epicurismo; c) Ceticismo; d)Justiça; e) Estoicismo.
    a) Ataraxia: é a busca da completa serenidade interior, pelo abandono total das perturbações produzidas pelo desejo, através do abandono total de todo desejo; é o desejo não realizado, não concretizado, que leva à frustração. E o principal de todos os desejos é o desejo de felicidade. A frustração levada às últimas consequências conduz à violência ou à apatia, tornando o indivíduo antissocial.
    b) Epicurismo: ou hedonismo, seria a busca utilitarista da felicidade através do prazer, fazendo-se um balanço desta busca da felicidade através da economia e escolha racional entre o parazer e o dever, entre o sacrifício e o prazer, fugir da dor e do sacrifício desnecessário e improducente, minimizando as expectativas de sofrimento e maximizando as expectativas de prazer e de vantagens através do cálculo egoísta entre o dever e o prazer, entre o custo e o benefício.
    c) Ceticismo: seria a busca racional da verdade absoluta pelo abandono de todas as idéias e noções préconcebidas e apriorísticas; buscar a verdade livre de quaisquer condições preexistentes, epoché, imutáveis ou indiscutíveis, insofismáveis. tudo pode e deve ser questionado, examinado, verificado, investigado, posto à prova, nada pode ser desprezado ou excluído da censura e da dúvida.
    Duvidar de conceitos e das verdades eternas e das afirmações insofismáveis.
    Tudo pode ser questionado, verificado, discutido e modificado. Tudo deve ser testado, demonstrado e atestado. Somente pode ser verdadeiro aquilo que sobreviver ao fato concreto. No limite, chega-se ao niilismo Nietzcheriano: nada é nada, nada é tudo, e tudo é nada, não existem propósitos nas ações e intenções humanas.
    d) Justiça: a noção de justica, representada pela balança, indica que os nossos atos não podem exceder nem ficarem aquém da medida certa e exata, nos momentos e lugares certos: sem excessos nem falhas, ou faltas. Sendo justos estaremos sempre mantendo o equilíbrio da balança; nem bondade, nem maldade; nem doar nem receber; nem retirar nem entregar nada que não seja direito. Cumprir os deveres na estrita medida do necessário.
    e) Estoicismo: é aquela corrente filosófica que ficou conhecida por defender a importância do sacrifício pelo futuro, deixar de gastar hoje para usufruir depois, pois nada se consegue de útil sem sacrifício, sem o esforço devido. O sacrifício de agora, a poupança, a previdência, a prevenção, abstinência é que podem prover e determinar o amanhã.
    A vida sem coragem para fazer renúncias, para abrir mão do imediatismo dionisíaco e das fantasias e dos sonhos acaba em arrependimento e frustração; o planejamento, a obstinação, a frugalidade, a simplicidade e a abnegação são os únicos caminhos para o sucesso.
    Como se vê, não é fácil entender-se a questão do desejo humano. A questão é mais antiga ainda quando se considerar que Ataraxia e o Estoicismo foram contribuições epistêmicas legadas pelos orientais, chineses, indianos, trazidas à cultura helênica antes da era dos filósofos, pelos grandes aventureiros que saíram pelo Oriente em busca de novos conhecimentos. Estes conhecimentos datavam de mais de dois milênios anteriores à cultura helênica.
    O imediatismo e a ignorância audaciosos levam pessoas simplórias intelectualmente a submeterem-se aos enganadores pseudos-petencostes, que sem preparo moral submergem pessoas que sem respostas para as suas angústias e premidas pelo desespero entregam-se ao que lhes parece ser a única solução imediata, e a última saída em muitos casos se esgotados os recursos da medicina e do sistema jurídico estatal.
    A ausência de solução não implica necessariamente em qualquer solução. É preciso ter a humildade para entender e aceitar esta fatalidade.
    Diante da morte e da precariedade muitas pessoas aceitam resignadas o seu destino. Outras justificam atos criminosos em nome do desespero da ausência de alternativas.
    O Estado deveria valorizar mais as pessoas que procuram fugir a estas alternativas, e o que vemos é o contrário: o perdão do crime famélico, o perdão dos menores delinqüentes, em lugar de valorizar aqueles que nas mesmas condições preferiram as privações ao cometimento de atos antissociais.
    A liberdade é uma prerrogativa dos irracionais, dos animais e da natureza. O maior privilégio da razão e do ser humano dotado dela é poder se autoconter, sublimar os seus impulsos animais e intrínsecos e se autodominar. Isto é a verdadeira liberdade: a liberdade de não fazer o que lhe é facultado, mas, não lhe convém.
    O autocontrole explicita o lado racional e social dos grupos humanos diferenciando-nos dos animais que apenas seguem aos seus instintos, sem autocensura.
    Sofrer faz parte da existência humana, nossos sentidos nos despertam o prazer e a dor pelos mesmos mecanismos. Fugir de um deles em detrimento do outro somente nos remete ao primarismo infantil por que ambos os aspectos fazem parte do nosso sistema fisiológico.
    Alguma coisa do nosso primitivo instinto reptiliano continua latente apesar da evolução darwiniana, e teima em não evoluir, este instinto aguça a nossa sexualidade, a nossa gula e o nosso medo da morte.
    Os sentidos da educação, da socialização, da religião, da ética e da moral, e da razão falhariam se a raça humana não conseguir domar os instintos mais primitivos quais sejam: o sexo, a gula, a morte e o medo. Sem isso não seremos humanos. Apenas animais em evolução.

  14. Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

    Evangélicos Modernos e o NeoPetencostismo

    A CF garante a todos os cidadãos a liberdade religiosa, e a todos os credos o Direito : “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias” (artigo 5º, inciso, VI, da CF).

    “A CF garante a todos os cidadãos através da Instituição do Ministério Público, que, entre várias outras importantes funções, deve zelar pelo respeito aos direitos fundamentais.” Em se tratando do novo papel do Ministério Público, Alexandre de Moraes cita a lição do Ministro Sepúlveda Pertence : “ É o patrocínio desinteressado de interesses públicos, ou essa proteção desinteressada, mesmo de interesses privados, mas aos quais se quis dar proteção especial , interesses sociais e individuais indisponíveis, que justificam o papel do Ministério Público. “

    1. Tendo em conta o princípio constitucional da presunção de inocência, insculpido no art. 5º, inc. LVII, da Constituição Federal de 1988, no sentido de que “ninguém será considerado culpado até o trânsito de sentença penal condenatória”, a prisão provisória somente é admitida como ultima ratio, quando fique plenamente demonstrada a sua necessidade.

    2. Os dispositivos constantes em diversos diplomas legais impedindo a concessão do benefício da liberdade provisória (art. 7º da Lei nº 9.034/95, art. 30 da Lei nº 7.492/86 e art. 3º da Lei nº 9.613/98: devem ser interpretados à luz da CF/88, somente restringindo-se o status libertatis do acusado nos termos do disposto no artigo 312 do CPP, vale dizer, apenas quando presente um dos fundamentos para a prisão preventiva, não consubstanciando as referidas normas legais, per se stante, base suficiente para a custódia. Entendimento recentemente manifestado pelo STF (Rcl 2391 MC/PR, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, Rel. p/ o acórdão Min. Joaquim Barbosa, 18.12.2003; RHC 83810/RJ, Rel. Min. Joaquim Barbosa, 18.12.2003; HC 83584, QO/SP, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, 16.12.2003).

    3. Em face do caráter de excepcionalidade, o exame dos fundamentos legais para a decretação da prisão preventiva deve ser feito cum grano salis, limitando-se àquelas hipóteses em que haja elementos concretos indicando que o status libertatis do denunciado representa ameaça efetiva à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal, com exclusão, portanto, de presunções e/ou conjecturas.

    4. As invocações relativas à gravidade do delito, ao clamor público e à garantia da credibilidade da Justiça não se revelam idôneas para dar suporte à manutenção da custódia cautelar. Precedentes do STF.

    5. Destarte, impõe-se a revogação da preventiva, tendo em vista a inexistência dos requisitos autorizadores previstos no artigo 312 do CPP, relevando, ainda, em favor do paciente, a primariedade e o fato de possuir residência fixa.

    Os autodenominados e os também formalmente denominados pastores que prometem serviços em troca de remuneração enquadrar-se-iam em crime previsto no art. 171 do CPP, incidindo em estelionato.

    De conformidade com o Código Penal brasileiro o estelionato é capitulado como crime ecônomico (Título II, Capítulo VI, Artigo 171), sendo definido como “obter para si ou para outro, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento.”

    Vale a ressalva de que, para que exista o delito de estelionato, faz-se mister a existência dos quatro requisitos citados no artigo acima mencionado: obtenção de vantagem, causando prejuízo a outrem; para tanto, deve ser utilizado um ardil, induzindo alguém a erro. Se faltar um destes quatro elementos, não se completa tal figura delitiva, podendo, entretanto, formar-se algum outro crime.

    Estes são reincidentes e são ameaças permanentes e reincidentes à segurança pública. Estes criminosos têm plena consciência de seus atos e provocam o resultado que desejam obter metodicamente, e repetidamente, iludindo os desesperados que são aliciados pelas falsas promessas de solução de suas demandas.

    Práticas criminosas de exercício irregular não-autorizado das diversas profissões desde a medicina até a psicologia, passando pela psicanálise e psiquiatria.

    Anunciam falsos resultados: falso-positivo e falso-negativo de curas e de transformações psicossociais e financeiras, arvoram-se em conselheiros e assistentes financeiros e administrativos de patrimônio alheio, incidindo em crimes contra o sistema financeiro.

    Nenhum médico pode prometer e garantir o resultado positivo do tratamento ao seu paciente, senão comprometer-se a utilizar de seu melhor conhecimento e de meios para provocar as condições de melhor restabelecimento e esperar a natureza fazer a sua parte na terapia.

    Ao contrário, estes estelionatários prometem conceder através dos poderes que se autoproclamam recebedores de parte de entidades superiores e místicas, assim concederem as graças para a saúde física e financeira, quiçá, psicossocial para sanarem problemas que vão desde uma amplíssima gama de casos dos casamentos desfeitos até desenganos trabalhistas, desemprego, depressão, desilusão, mau-olhado, inveja, e todo o tipo de insucesso pessoal e profissional.

    O termo grego ataraxía, introduzido por Demócrito (c. 460-370 a.C.), significa tranquilidade da alma, ausência de perturbação. É um conceito fundamental da filosofia epicurista e dos céticos, e pode traduzir-se como imperturbabilidade, ausência de inquietação ou serenidade do espírito.

    Ataraxia é a disposição do espírito que busca o equilíbrio emocional mediante a diminuição da intensidade das paixões e dos desejos e o fortalecimento das almas face às adversidades. A ataraxia caracteriza-se pela tranquilidade sem perturbação, pela paz interior, pelo equilíbrio e moderação na escolha dos prazeres sensíveis e espirituais.

    A ataraxia está muito próxima da apatia proposta pelos estóicos, na medida em que ambas caracterizam estados anímicos que contribuem para o alcance da felicidade através da disciplina da vontade para moderar os desejos e para aprender a aceitar os males voluntariamente. Ambas promovem a liberdade face às paixões, aos desejos, às coações, às circunstâncias e, mesmo, ao destino.

    Distingue-se da apatia pela forma como promove a felicidade. Enquanto esta procura eliminar as paixões e desejos, a ataraxia tenta criar forças anímicas para enfrentar a dor e as adversidades. A ataraxia implica saber aceitar as situações e conviver com elas, ponderando o sentido e a utilidade dos prazeres e do que possivelmente magoa.

    A ataraxia surge, muitas vezes, complementada pela aponia, que se traduz por ausência de dor, ausência de esforço como sofrimento. Segundo Epicuro, a felicidade alcança-se com a ataraxia, que proporciona um prazer estável, e deve ser acompanhada pela aponia, ou seja, pela ausência de dor física.

    Esta praga ocidental dionisíaca introduzida pelo objetivo da busca da felicidade através do caminho do menor esforço possível, também chamada pelos utilitaristas de racionalidade individual, tem lançado as pessoas desesperadamente em busca de atalhos para esta alegria efêmera, que pode vir desde um gole de uma gelada cerveja, até o sexo inconseqüente, e, no estado mais agudo, ao uso de crack e outras drogas mais sociais.

    As pessoas elegeram, em nome destes princípios, que somente estarão realizadas quando alcançarem a tal felicidade. Essa busca por algo que nem sequer sabem se realmente o desejam, quando encontrá-lo, não fazem perguntas para si mesmo se é isto que é importante para as suas vidas.

    Em primeiro lugar deveriam perguntar para que serviria a felicidade. Depois, a segunda e óbvia pergunta seria: se a felicidade seria em si mesmo um fim para o seu projeto de vida. A terceira pergunta seria então: o que seria de suas vidas depois de alcançar a felicidade.

    Respondendo a estas perguntas os filósofos gregos criaram pelo menos cinco variantes de escolas de pensamento filosófico para justificarem cada uma destas possibilidades.

    A questão moral (costumes), que é a Ética secular da praxis social, foi derivada da tentativa de substituição à época dos filósofos gregos desde 550 a. C., dos preceitos determinativos do comportamento social e pessoal dados pela religião e pela tradição: tais preceitos doutrinários e dogmáticos.

    Quando se tentou substituí-los (a religião e a tradição) pela racionalidade filosófica, dando-se aos preceitos éticos as justificativas lógicas e principiológicas para o comportamento considerado reto, socialmente aceitável, baseados na razão instrumental.

    Eliminar-se-iam o medo da punição eterna, da punição de consciência, o medo da reprovação social baseada nos costumes tradicionais intraduzíveis, místicos e míticos, pelas variantes racionalistas principais: a) Ataraxia; b)Epicurismo; c) Ceticismo; d)Justiça; e) Estoicismo.

    a) Ataraxia: é a busca da completa serenidade interior, pelo abandono total das perturbações produzidas pelo desejo, através do abandono total de todo desejo; é o desejo não realizado, não concretizado, que leva à frustração. E o principal de todos os desejos é o desejo de felicidade. A frustração levada às últimas consequências conduz à violência ou à apatia, tornando o indivíduo antissocial.

    b) Epicurismo: ou hedonismo, seria a busca utilitarista da felicidade através do prazer, fazendo-se um balanço desta busca da felicidade através da economia e escolha racional entre o parazer e o dever, entre o sacrifício e o prazer, fugir da dor e do sacrifício desnecessário e improducente, minimizando as expectativas de sofrimento e maximizando as expectativas de prazer e de vantagens através do cálculo egoísta entre o dever e o prazer, entre o custo e o benefício.

    c) Ceticismo: seria a busca racional da verdade absoluta pelo abandono de todas as idéias e noções préconcebidas e apriorísticas; buscar a verdade livre de quaisquer condições preexistentes, epoché, imutáveis ou indiscutíveis, insofismáveis. Tudo pode e deve ser questionado, examinado, verificado, investigado, posto à prova, nada pode ser desprezado ou excluído da censura e da dúvida.

    Duvidar de conceitos e das verdades eternas e das afirmações insofismáveis.

    Tudo pode ser questionado, verificado, discutido e modificado. Tudo deve ser testado, demonstrado e atestado. Somente pode ser verdadeiro aquilo que sobreviver ao fato concreto. No limite, chega-se ao niilismo Nietzcheriano: nada é nada, nada é tudo, e tudo é nada, não existem propósitos nas ações e intenções humanas.

    d) Justiça: a noção de justiça, representada pela balança, indica que os nossos atos não podem exceder nem ficarem aquém da medida certa e exata, nos momentos e lugares certos: sem excessos nem falhas, ou faltas. Sendo justos estaremos sempre mantendo o equilíbrio da balança; nem bondade, nem maldade; nem doar nem receber; nem retirar nem entregar nada que não seja direito. Cumprir os deveres na estrita medida do necessário.

    e) Estoicismo: é aquela corrente filosófica que ficou conhecida por defender a importância do sacrifício pelo futuro, deixar de gastar hoje para usufruir depois, pois nada se consegue de útil sem sacrifício, sem o esforço devido. O sacrifício de agora, a poupança, a previdência, a prevenção, abstinência é que podem prover e determinar o amanhã.

    A vida sem coragem para fazer renúncias, para abrir mão do imediatismo dionisíaco e das fantasias e dos sonhos acaba em arrependimento e frustração; o planejamento, a obstinação, a frugalidade, a simplicidade e a abnegação são os únicos caminhos para o sucesso.

    Como se vê, não é fácil entender-se a questão do desejo humano. A questão é mais antiga ainda quando se considerar que Ataraxia e o Estoicismo foram contribuições epistêmicas legadas pelos orientais, chineses, indianos, trazidas à cultura helênica antes da era dos filósofos, pelos grandes aventureiros que saíram pelo Oriente em busca de novos conhecimentos. Estes conhecimentos datavam de mais de dois milênios anteriores à cultura helênica.

    O imediatismo e a ignorância audaciosos levam pessoas simplórias intelectualmente a submeterem-se aos enganadores pseudos-petencostes, que sem preparo moral submetem pessoas que sem respostas para as suas angústias e premidas pelo desespero entregam-se ao que lhes parece ser a única solução imediata, e a última saída em muitos casos se esgotados os recursos da medicina e do sistema jurídico estatal.

    A ausência de solução não implica necessariamente em qualquer solução. É preciso ter a humildade para entender e aceitar esta fatalidade.

    Diante da morte e da precariedade muitas pessoas aceitam resignadas o seu destino. Outras justificam atos criminosos em nome do desespero da ausência de alternativas.

    O Estado deveria valorizar mais as pessoas que procuram fugir a estas alternativas, e o que vemos é o contrário: o perdão do crime famélico, o perdão dos menores delinqüentes, em lugar de valorizar aqueles que nas mesmas condições preferiram as privações ao cometimento de atos antissociais.

    A liberdade é uma prerrogativa dos irracionais, dos animais e da natureza. O maior privilégio da razão e do ser humano dotado dela é poder se autoconter, sublimar os seus impulsos animais e intrínsecos e se autodominar. Isto é a verdadeira liberdade: a liberdade de não fazer o que lhe é facultado, mas, não lhe convém.

    O autocontrole explicita o lado racional e social dos grupos humanos diferenciando-nos dos animais que apenas seguem aos seus instintos, sem autocensura.

    Sofrer faz parte da existência humana, nossos sentidos nos despertam o prazer e a dor pelos mesmos mecanismos. Fugir de um deles em detrimento do outro somente nos remete ao primarismo infantil por que ambos os aspectos fazem parte do nosso sistema fisiológico.

    Alguma coisa do nosso primitivo instinto reptiliano continua latente apesar da evolução darwiniana, e teima em não evoluir, este instinto aguça a nossa sexualidade, a nossa gula e o nosso medo da morte.

    Os sentidos da educação, da socialização, da religião, da ética, da moral, e da razão falhariam se a raça humana não conseguir domar os instintos mais primitivos quais sejam: o sexo, a gula, a morte e o medo. Sem isso não seremos humanos.
    Apenas animais em evolução.

  15. A cada milagre anunciado pelos falsos-pastores, obreiros, falsos-bispos, falsos-missionários, falsos-pregadores do Evangelho deveria o representante do ministério público abrir uma investigação para apurar e confirmar o falso-milagre, seja este falso-milagre de cura de doenças, de enfermidades, de comportamento antissocial, de mudança de status econômico, de falso-enriquecimento, de falsa explosão de prosperidade econômica, das armações para efeito demonstração de falsos-sucessos empresariais, tudo deveria ser rigorosamente e detalhadamente documentado e investigado cientificamente, com o auxílio de todos os peritos em todos os ramos envolvidos, de médicos, economistas, psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, físicos, biólogos, botânicos, químicos, matemáticos, estatísticos.

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