Arquivo de dezembro, 2007

crônica: o folião infeliz

Publicado: dezembro 25, 2007 em crônica

Essa é a história de um jovem folião. Sim, um jovem. Com coração bom. Um folião que adorava folia. Evidente, oras! Um folião que passeava de noite e dormia de dia. Portanto, um folião boêmio. Sabia de tudo que acontecia em sua cidade. Sabia das festas. Dos melhores bares. Das melhores boates. Sabia qual era o melhor dia de sair e o melhor dia de ficar em casa. Sabia das melhores bebidas. Das melhores comidas. Dos lugares pra paquerar e dos lugares pra relaxar. Era um folião-boêmio informado. Que fazia o que gostava… E sabia fazer muito bem! Fez o dever de casa. Um folião bonito. E muito simpático. E bem relacionado também. Ué, um folião desses como pode ser infeliz? Como pode ser infeliz um folião desses? Eu sei que pode. Mas ainda não está na hora. Continuemos a história do nosso folião-boêmio-informado e, agora, bonito. O folião não gostava de ficar em casa. Saía sempre. Ia para grandes shows. Freqüentava salas VIP’s. Pulava carnaval com o povão. Viajava para muitos lugares. Era muito fiel aos seus amigos. Não há quem não gostasse dele. E procurava. Ia para todos os lugares para procurar. E procurava… E procurava… E nunca achava.

E lá estava ele denovo. Procurando. E lá estava ele denovo. Numa grande festa. Numa festa da High Society. Falando com todos. E todos falando com ele.  Era simpático e bonito, como já foi dito. Seu sorriso era cativante. Seus gestos bem educados e ensaiados. Sua roupa era elegante. Seus cabelos negros, arrumados. Impecável. Muitas mulheres falavam com ele. E até esperavam que ele fosse para as festas. Era desejado pelas moças e invejado pelos rapazes. Todos queriam estar perto dele. Tirava fotos. Saía nas principais colunas sociais. Conhecia bons partidos. Mas não achava. E procurava… e não achava…

E ia para as festas. Andando… Vagueando… Procurando… Procurando um amor. Procurando a sua vida. Procurando a felicidade. Procurando por ela: Sofia. O nosso folião protagonista era simpático e bonito, tinha um sorriso cativante. Gestos bem educados e ensaiados. Roupa elegante. Cabelos negros, arrumados. Mas seus olhos não brilhavam. Não tinha o brilho de quem é feliz e ama viver. Era um olhar angustiado. De quem procura. Um olhar triste de quem procura e nunca acha. Sofia havia desaparecido de sua vida por mais de 10 anos. Ele nunca superara. E, na verdade, nunca tivera Sofia. Nunca tivera a coragem de confessar seu amor puro e sublime para Sofia. Ele nunca esquecera aquele único encontro que tiveram. Por acaso. Quando se conheceram. Teve a oportunidade de falar com ela. Trocaram algumas palavras… E ele nunca mais foi o mesmo. E sofreu desde então. Não se faz necessário dizer o conteúdo da conversa dos dois. Apenas que ele nunca esquecera Sofia. Logo ele! Que nunca acreditara em amor. Ainda mais à primeira vista! Mas nosso protagonista sabia que perdera a oportunidade de sua vida. Sabia que a vida era feita de pequenas atitudes. E que poderia ser mudada em frações de segundo. Sabia que, na verdade, a vida era feita dessas pequenas atitudes e só. Nunca pensara em grandes atitudes. Mas perdera.

E procurava…  E procurava… E freqüentava as festas. E continuava com seus gestos robustos e ensaiados. Mas sem brilho no olhar. E invejava os casais que riam e se amavam nos bancos da praça. E ele chorava. Chorava muito. E dormia. Dormia de dia com a ajuda dos remédios. E dormia de dia para não ver essas coisas. Tudo que ele invejava. E de noite saía. E procurava…