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Abaixo, uma matéria que escrevi quando estava no terceiro ano da universidade de jornalismo e era estagiário de uma empresa de comunicação de jornal impresso em Alagoas:


“TCC: Sinônimo de preocupação

Monografias são uma verdadeira “dor de cabeça” para maioria dos estudantes

Desde os tempos de ensino médio, o sonho de se obter um curso superior para o ingresso ao mercado de trabalho ou carreira no meio acadêmico, povoa a mente de muitos jovens. Lutam com muito esforço e passam de uma etapa considerada muito cruel para eles: o vestibular. Depois de superada essa etapa, o sonho do curso superior está cada vez mais próximo. Até que surge o maior teste e dor de cabeça para muitos alunos, “o temido” Trabalho de Conclusão de Curso: o TCC. Três letrinhas que deixam muitos alunos com calafrios, só de pensar.

Para o estudante de Administração Carlos dos Santos, o TCC é a grande preocupação dentro da universidade. Apesar de ainda estar no 2º ano do curso, já está apreensivo em determinar logo um tema para a monografia. “Preciso achar logo um tema que me interesse para não deixar tudo para o último ano”. A maioria dos professores tenta acalmar os alunos dizendo que o projeto não é tão complicado quanto parece e ensina para eles algumas dicas para trabalhar etapa por etapa sem perder noites de sono.

Mas afinal, como fazer uma monografia? O TCC é científico se: trata um objeto de estudo (tema) de maneira tal que pode ser reconhecido pelos demais; a pesquisa diz coisas sobre esse tema que não foram ditas antes ou o aborda sob nova ótica; é útil aos demais; e proporciona elementos que permitem confirmar ou refutar as hipóteses que apresentam, de maneira tal que os outros possam continuar o trabalho contribuindo para amplitude da discussão do tema.

Muitas vezes, o aluno está no último ano do curso e ainda nem tem idéia de como fazer sua monografia, indispensável para a obtenção do certificado. Depois de tanta luta, tanto estudo, não se pode desanimar e entregar à universidade um trabalho qualquer.

Com a dedicação para concluir a monografia se aprende, entre outros saberes a:delimitar um problema; descobrir e reunir informação adequada; classificar todas as informações; exercitar o espírito crítico; comunicar os resultados por escrito; e expressar oralmente frente à banca examinadora. São lições que ajuda o concluinte a resolver problemas durante toda a vida.

A dedicação para se fazer um bom trabalho é fundamental para o projeto ser reconhecido no meio acadêmico – que facilita para uma possível especialização – e evita que ele fique jogado e empoeirado em uma prateleira qualquer da biblioteca da universidade.

Exemplo de um bom trabalho

Para Ismael Tcham, um africano de Guiné Bissau que mora há cinco anos em Alagoas, é preciso se decidir logo como fazer o Trabalho de Conclusão de Curso. Formado em Relações Públicas pela Universidade Federal de Alagoas, ele conta que suas idéias surgiram a partir do terceiro ano do curso, mas que as pessoas devem escolher o tema o quanto antes.

Por não ter escolhido o assunto tão cedo quanto gostaria, teve pequenas dificuldades para escrever o TCC. Entre elas, pequenas diferenças no idioma e por não estar familiarizado com as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), exigida pela universidade para trabalhos científicos. Por outro lado, contou com um orientador sempre presente e com um ótimo acervo do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) – que integrou parte de seu trabalho -, com artigos de jornais e material sempre novo e relevante para sua pesquisa. Com o tema “Racismo, ações afirmativas e proposta de comunicação para o neab” teve seu projeto, em parceria com o estudante David Oliveira, aprovado com louvor e sem retoque. Seu trabalho já está em processo de transformação para livro e será publicado dentro dos próximos dois anos pela editora da ufal. “Fiquei muito feliz com a aprovação máxima do projeto. Precisei refazer o projeto quatro vezes antes de apresentar à banca examinadora. Mas, todo o esforço valeu a pena”.

A banca examinadora foi sugerida pelo orientador de Ismael, professor e doutor Pedro Nunes, pelo fato de os integrantes da mesa serem especializados. Diferente do Cesmac, por exemplo, onde o aluno e o orientador não podem interferir nos nomes da banca examinadora.

Segundo a professora e doutora Clara Suassuna, que participou da banca examinadora do trabalho de Ismael, os alunos não sabem escolher o tema direito, normalmente confundem o tema com o título do projeto. Também, não tem conhecimento técnico do assunto, ou seja, lê pouco sobre o tema e logo fica desesperado achando que quase não têm livros falando sobre o assunto. Para ela, falta iniciativa do aluno. “Para se fazer uma boa monografia o aluno tem que ter tesão, amor e paixão pelo tema”, disse. Segundo a professora, é quase impossível fazer um bom TCC somente em um ano. O ideal é começar no segundo ano do curso para poder ter tempo de desenvolver bem o tema proposto. A professora também orienta cerca de sete trabalhos por ano.

Atualmente, Ismael está cursando jornalismo e já está com idéias para o segundo TCC. Pretende terminar o curso no próximo ano e ter assim, dois cursos superiores em apenas seis anos. Logo após, fazer pós-graduação e continuar firme nos estudos.”

Impressionante como na teoria eu até sei fazer um tcc…. Mas ainda continuo com essa dor de cabeça depois de muitos meses! Aquela velha história: teoria é uma coisa, prática é outra… Mas pelo menos já estou terminando. Atrasadíssimo, é verdade. Desejem sorte e força de vontade pra que eu termine logo essa droga. Não, não quero um trabalho exemplar. Quero só me formar com um trabalho “sarrabuiado” mesmo.

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opinião: a exploração da fé

Publicado: julho 26, 2007 em opinião

A mistura de dinheiro, poder e religião é prática antiga na história da humanidade. No mundo ocidental, o maior exemplo disso é a Igreja Católica Romana: com mais de um bilhão de fiéis no mundo, é a maior denominação cristã, atualmente. Os tempos modernos parecem comprovar que a exploração da fé volta a fascinar milhões de pessoas em todo o mundo – agora pelas religiões protestantes -, pois, afinal, a existência de organizações religiosas não é privilégio do Brasil. Elas se espalham por todo o planeta, prometendo dinheiro, poder e salvação a seus mais generosos contribuintes.

Um dos escândalos mais recentes foi a prisão dos dirigentes máximos da Igreja Renascer em Cristo, em Miami, quando pretendiam entrar com dólares não declarados nos Estados Unidos. No Brasil, o casal fundador da nova seita – o apóstolo Estevam Hernandes e a bispa Sônia – responde a mais de cem processos judiciais, acusados pelo Ministério Público por um conjunto de crimes, pelos quais, explorando a fé de brasileiros crédulos e ingênuos (muitas vezes levados pelo desespero pessoal – desemprego, doenças, inquietações), conseguiu acumular uma fortuna avaliada em mais de R$ 19 milhões. E o que mais chama atenção – no caso da Renascer -, mesmo com todas as denúncias do MP, é a resistência dos milhares de adeptos da religião em aceitar os fatos, rejeitando as denúncias de crimes financeiros do casal dirigente e atribuindo à mídia, acusações de leviandade. Trabalho bem feito dos pastores com suas ovelhinhas…

Com isso, milhares de brasileiros continuam submissos a credos e fiéis às recomendações dos evangelizadores das mais diversas seitas religiosas que pregam, além de se fazer o bem ao próximo, a doação de dinheiro e bens como fórmula para a obtenção de graças divinas capazes de promover a melhoria de vida de seus praticantes.

A religião é algo que aparece na sociedade e nunca deixou de existir. As pessoas precisam de alguma “energia sobrenatural” para conseguir forças e resolver os problemas e preocupações da vida. A fé. Que dizem, remove montanhas. A religião existe exatamente para isso: dar soluções de problemas e encaminhar as pessoas para essa tal “força sobrenatural” – forças que estão além das forças humanas. E que não cabe aqui dizer se existe ou não. Cada um sabe no que acredita.

Mas o que acontece, atualmente, é o surgimento de várias religiões que se aproveitam do desespero das pessoas e passam a controlar suas vidas, ditando regras e afazeres. Caracterizando assim, uma forma de fundamentalismo. Sim, fundamentalismo. Não é só no Oriente Médio que existe. Toda vez que uma sociedade passa por grandes dificuldades, os fundamentalismos religiosos ganham força, isso é sociologicamente estudado. E é característica do fundamentalismo causar a negação de outra religião. De certa forma, podemos chamar as religiões de hoje de fundamentalistas. São instituições polêmicas, devido ao fato de sua teologia, seus atos, posições sociais e morais, bem como métodos de trabalho, serem duramente criticados, tanto por leigos quanto por adeptos de outras linhas religiosas, inclusive de linhas cristãs, protestantes e pentecostais.

Mas como essas igrejas conseguem tantos fiéis? Talvez pelo fato de pessoas desesperadas serem facilmente “recrutadas” pela igreja. O desespero das pessoas é o alicerce das novas igrejas. Caracterizando o “oportunismo” (por parte da igreja) e crença fortalecida pelos fiéis.

Ela promete a salvação divina, desde que o fiel siga à risca todas as regras da igreja. Quando uma pessoa procura a igreja, é sinal que está com muitos problemas e que não consegue resolvê-los. Com a vontade de mudança de atitude aliada à rigidez da igreja, muitas vezes a vida das pessoas mudam para melhor. E logo, se atribui a um milagre realizado pelo pastor e pela igreja. Ora, já que não consegue a salvação terrena, ao menos tenta a salvação divina. E para isso, basta seguir as regras da igreja. Entre elas, O dízimo e as ofertas voluntárias a Deus.

O dízimo, segundo os próprios pastores, serve para expandir a igreja, pagar concessões de rádio e TV, construir grandes templos, entre outras coisas. Eles só não dizem que é pra enriquecimento próprio. A facilidade de se conquistar novos fiéis também se deve ao “marketing religioso”: uma espécie de marketing aliado a psicologia que ajuda no trabalho com grandes massas tendo como objetivo conquistar novos fiéis.

Igreja universal – O crescimento da Igreja Universal do Reino de Deus está ligado à expansão dos chamados “movimentos neo-pentecostais” a partir dos anos 70, quando também foram criadas outras igrejas, tais como Igreja Internacional da Graça de Deus, Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra e a Igreja Renascer em Cristo. Em oito anos de existência, a Igreja Universal já dispunha de 195 templos em 14 estados brasileiros e no Distrito Federal, número que quase dobrou dois anos depois. As últimas estimativas apontam 15 milhões de féis, com presença em todos os estados do Brasil. Essa religião protestante cresce vertiginosamente principalmente por dois motivos: não é rigidamente hierarquizada como a Igreja Católica – é mais fácil se tornar um pastor do que um padre; e a promessa de libertação de todos os pecados através da igreja.

O termo libertação significa procurar a liberdade de forças que oprimam a pessoa, forças estas que no entender da igreja são muito mais sobrenaturais do que naturais e, por conseguinte, as formas de lidar com elas são fundamentalmente espirituais. Muitos dos males que assolam a humanidade, na visão da igreja (como doenças, violência, depressão, solidão, fome, privações, desemprego e pobreza), e, em particular, aos que não seguem Jesus Cristo, são associados a obras de demônios ou espíritos caídos (chamados, em alguns casos, de “encostos”). Tais espíritos podem atuar diretamente na pessoa, através de uma “possessão” demoníaca, ou ao redor dela, conspirando contra ela, através de outras pessoas ou circunstâncias (opressão). A ação de tais espíritos pode ser facilitada através de brechas. Entre elas estão a “falta de comunhão com Deus”, “pecado”, “maldição hereditária”, “maldição proferida”: inveja e mal olhado. Um reflexo direto de tal crença é a ênfase dada ao exorcismo e ritos de repreensão do mal, presentes na quase totalidade dos cultos e celebrações da Igreja Universal.

O texto foi inspirado por essa reportagem de 89, se não me engano: